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Seis testes nucleares em 11 anos: a cronologia da ameaça norte-coreana

O míssil balístico Hwasong-12 foi o primeiro a sobrevoar o território do Japão desde 2009

STR

O último dos seis testes nucleares de Pyongyang foi este domingo, poucos dias depois da Coreia do Norte ter também feito lançamentos de mísseis balísticos intercontinentais. Em 33 anos, o alcance dos mísseis lançados passou de 300 km para 10 mil km, capazes hoje de chegar aos Estados Unidos, segundo os especialistas

Um ano separa o teste nuclear deste domingo do anterior que a Coreia do Norte tinha feito a 9 de setembro de 2016. Um ano foi suficiente para aumentar em dez vezes a intensidade do abalo artificial provocado pela bomba de hidrogénio - conhecida como 'bomba H' - como se percebeu este domingo, numa altura em que passaram poucos dias do lançamento de um míssil intercontinental com um alcance de 10 mil km - capaz de ameaçar uma parte do continente americano.

Os dados citados pelo "Wall Street Journal" mostram que foi há 11 anos que a Coreia do Norte anunciou o primeiro teste nuclear, a 9 de setembro de 2006. Desde então, e já a contar com o teste nuclear deste domingo, contam-se seis. De explosão em explosão, a intensidade do abalo provocado foi sempre maior, como hoje voltou a confirmar-se.

O objetivo da Coreia do Norte tem sido o desenvolvimento do alcance e capacidade dos mísseis balísticos intercontinentais, que podem ser carregados com ogivas nucleares. Este domingo, o anúncio do "total sucesso" do lançamento foi feito pela pivô da televisão estatal norte-coreana, horas depois de Seul e Tóquio terem detetado uma invulgar atividade sísmica na Coreia do Norte.

Segundo a KCTV, o ensaio nuclear foi ordenado pelo líder norte-coreano, Kim Jong-un, e provocou reações da comunidade internacional. Os governos da Coreia do Sul e do Japão já anunciaram que vão solicitar uma nova reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O Governo dos Estados Unidos já confirmou estar a avaliar a criação de novas sanções contra a Coreia do Norte, na sequência deste teste nuclear. "Podemos fazer muito para isolá-los [à Coreia do Norte] economicamente, muito mais do que já fizemos”, frisou Steven Mnuchin, secretário do Tesouro, numa entrevista à cadeia televisiva americana Fox.

40 anos a trabalhar para conseguir lançar mísseis intercontinentais

Para além dos testes nucleares, que começaram em 2006, a preparação da capacidade de lançar mísseis começou no final da década de 1970. Na altura a Coreia do Norte começou a trabalhar numa versão do míssil soviético 'Scud B', com capacidade de alcance de 300 quilómetros. Em abril de 1984, testou-o. Em 2006 o alcance já chegava aos 6700 km. Desde então, e até ao último lançamento (a 29 de agosto deste ano) a capacidade de alcance disparou.

Passados 33 anos do primeiro, a Coreia do Norte fez um teste com um míssil capaz de chegar aos Estados Unidos, segundo confirmaram os especialistas. A 28 de julho deste ano, lançaram o um míssil intercontinental com uma capacidade de alcance de teoricamente 10.000 quilómetros. Um mês depois (a 26 de agosto), a Coreia do Norte lançou três mísseis balísticos de curto alcance e poucos tempo depois, a 29 de agosto, lançou outro míssil que, pela primeira vez desde 2009, sobrevoou território japonês, antes de cair no Pacífico. Segundo Seul, percorreu 2.700 quilómetros e atingiu uma altitude máxima de cerca de 550 quilómetros.

Ainda no início de agosto, pouco depois do lançamento do míssil que poderia chegar até aos Estados Unidos, o Conselho de Segurança das Nações Unidas adotou, por unanimidade, uma resolução reforçando fortemente as sanções impostas à Coreia do Norte, com o objetivo de privar Pyongyang de mil milhões de dólares de receitas anuais.

A resolução visa proibir a obtenção de receitas das exportações norte-coreanas, nomeadamente nos setores do carvão, do ferro e das pescas. Tratou-se do sexto, e do mais duro, pacote de sanções impostas pelas Nações Unidas à Coreia do Norte desde o primeiro teste nuclear em 2006.

Este domingo, a União Europeia considerou este novo teste como uma "grande provocação" e uma "grave ameaça à segurança regional e internacional". Em comunicado, a chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini, disse que o ensaio nuclear é uma violação "direta e inaceitável" das obrigações internacionais de Pyongyang, que não pode produzir nem testar armas nucleares, segundo as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

A chefe da diplomacia da União Europeia reiterou que a Coreia do Norte deve pôr fim a todas as atividades relacionadas com armas de destruição maciça e adiantou que, esta segunda-feira, se reúne com Yukiya Amano, o líder da Agência Internacional de Energia Atómica, para debater o tema.

As datas dos seis testes em 11 anos:

9 de outubro de 2006

Pyongyang faz o primeiro teste nuclear subterrâneo

25 de maio de 2009

Segundo teste nuclear subterrâneo, muito mais potente que o primeiro

12 de fevereiro de 2013

Terceiro teste nuclear

6 de janeiro de 2016

Quarto teste nuclear subterrâneo e a Coreia do Norte afirma ter testado uma bomba de hidrogénio, algo amplamente questionado por especialistas

9 de setembro de 2016

Coreia do Norte realiza quinto ensaio nuclear, nove meses depois do anterior

3 de setembro de 2017

Sexto ensaio nuclear e Pyongyang alega ter testado, com sucesso, uma bomba de hidrogénio passível ser instalada num míssil balístico intercontinental