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Governo de Macau barra jornalistas que queriam fazer reportagens sobre estragos do furacão

Soldados do Exército de Libertação Popular durante trabalhos de limpeza das ruas de Macau

TYRONE SIU /REUTERS

O fotógrafo Felix Wong do jornal South China Morning Post foi impedido de entrar em Macau pelas autoridades do território e acusado de colocar em “risco a estabilidade e segurança interna”da região. Associações de jornalistas de Macau e Hong Kong denunciam proibição da entrada em Macau de mais três repórteres de Hong Kong

O governo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) negou a entrada de quatro jornalistas de Hong Kong que queriam fazer fazer reportagens sobre os efeitos devastadores da passagem do tufão Hato, que causou pelo menos cinco mortos e 153 feridos, deixando um rasto de caos e destruição em todo o território.

A denúncia é feita pelo South China Morning Post (SCMP), um dos jornais visados por este barramento que compromete a liberdade de imprensa. Num texto assinado por Jeffie Lam, o Post conta como o [seu] repórter fotográfico Felix Wong foi detido pelas autoridades quando entrou no casino.

Os serviços de imigração de Macau entregaram uma intimação a Wong, dizendo que ele “coloca em risco a estabilidade e segurança interna” do território, relata o artigo do South China Morning Post, que diz que o seu jornalista foi “detido”.

Para além de Wong, três outros repórteres estrangeiros foram objeto de notificações semelhantes de acordo com South China Morning Post: dois jornalistas da Apple Daily e um do portal HK01.

O editor-executivo do Post, Tammy Tam, expressa a “forte oposição” do jornal “à detenção de Wong pelas autoridades de Macau, quando tentava entrar no território; este encontrava-se a cumprir a sua “missão de infromar o público”.

Citado pelo Post, Ryan Law Wai-kwong, do Apple Daily, lamenta o barramento das autoridades de Macau à entrada dos repórteres, classificando a detenção e a a alegada ameaça dos jornalistas à segurança interna do território de “absolutamente ridícula”.

Repórteres detidos no dia em que era esperada tempestade Pakhar

A entrada dos três jornalistas de Hong Kong foi barrada este sábado, dia em Macau estava em alerta devido à aproximação do tufão Pakhar.

O Hato foi o tufão mais violento que atingiu o território de Macau nos últimos 18 anos, e fez pelo menos 20 mortos e cerca de 200 feridos. Não há vítimas portuguesas a lamenta, de acordo com o cônsul de Portugal no território.

Em Coloane tenta-se perceber por onde começar a reconstrução

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FOTO GONÇALO LOBO PINHEIRO

Governo de Macau desvaloriza barramento dos jornalistas

O secretário para a Segurança de Macau já “desvalorizou” este domingo a “proibição de entrada no território de pessoas, uma medida de segurança que todos os países do mundo adotam quando consideram ser necessário”. Wong Sio Chak falava numa conferência de imprensa de balanço dos trabalhos de limpeza do tufão Hato.

"Não podemos aqui revelar a razão porque não tiveram autorização de segurança, é igual em todo o mundo, não é único de Macau", afirmou, quando questionado sobre o caso de quatro jornalistas de Hong Kong, impedidos de entrar no território no sábado.

Para Wong Sio Chak, a recusa da entrada de pessoas não é decidida em razão de "comentários ou críticas" que as autoridades "não gostam". Esclareceu ainda que, no sábado, quando as pessoas foram impedidas de entrar no território, desconhecia que eram jornalistas. A "aplicação da lei é feita de forma rigorosa", disse o responsável, sublinhando que as autoridades "não estão a atacar, nem estão concentradas numa só profissão". Cada região, cada país tem a sua política de entrada e segurança que aplica de acordo com a legislação vigente, disse.

"A decisão sobre estes casos é confidencial, não é para divulgar e essa é uma regra mundial", reiterou o responsável pela segurança da RAEM.

Os jornalistas que trabalham em Macau já manifestaram o seu desagrado pela posição das autoridades da Região Administrativa Especial. A Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau (AIPIM), num comunicado divulgado este domingo na sua página do Facebook, “lamenta profundamente a decisão das autoridades da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) de recusar a entrada na região de quatro repórteres de Hong Kong, que, segundo as publicações para as quais trabalham, se deslocavam à região, no dia 26 de Agosto, para fazer reportagem sobre o impacto do tufão Hato”.

“A AIPIM considera incompreensíveis e insatisfatórias as justificações dadas pelas autoridades locais para a decisão e alerta que esta atitude, tal como outras semelhantes no passado, prejudica a imagem internacional da RAEM no que diz respeito ao respeito pela liberdade de imprensa”.

A agência Lusa diz que o coordenador do Centro de Operações da Proteção Civil (COPC) de Macau, Ma Io Kun, “questionado sobre o assunto numa conferência de imprensa no mesmo dia, admitiu que houve pessoas que foram impedidas de entrar na cidade, mas não confirmou que eram os jornalistas: Em princípio, proibimos a entrada de pessoas que possam causar perigo à ordem pública e à ordem da sociedade. É de acordo com a lei que proibimos a entrada dessas pessoas", disse Ma lo Kun, sublinhando não saber se os barrados' eram ou não jornalistas”.

A Associação de Jornalistas de Hong Kong e a Associação de Fotojornalistas de Hong Kong também lamentaram o incidente e instaram Macau a respeitar a liberdade de imprensa, De acordo com o South China Morning Post, estas duas associações “defenderam que Macau tem uma política de imigração arbitrariamente restritiva e que vários de jornalistas de Hong Kong foram impedidos de entrar na cidade nos últimos anos”, escreve a Lusa.