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Paulo Portas: “José Eduardo dos Santos não é Mugabe nem Obiang”

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Lusa

Ex-ministro dos Negócios Estrangeiros elogia processo de sucessão em Angola. E critica “uma parte das instituições e sectores de opinião em Portugal” que se comporta “como se o império ainda existisse”, atuando com “a arrogância (e o preconceito) dos ‘educadores do povo’”

Paulo Portas considera que "os resultados das eleições em Angola são muito interessantes" e elogia o processo de sucessão.

Num artigo publicado hoje no semanário Expresso, Portas escreve que o "Presidente José Eduardo dos Santos resistiu à tentação do poder vitalício. A sua decisão de sair e organizar uma transição inovadora marca uma diferença em África. José Eduardo dos Santos, definitivamente, não é Mugabe nem Obiang: soube separar o seu destino do destino do seu país. Na leitura histórica, José Eduardo dos Santos não é apenas um dos vencedores da guerra, é um dos construtores da paz, é também um Presidente que soube sair e abrir caminho ao futuro."

Esta é uma de cinco reflexões de Paulo Portas neste artigo, onde salienta também que o "MPLA resiste melhor a uma crise económica dura e profunda do que, por exemplo, o ANC na África do Sul", continuando ser "o partido dominante" mas havendo agora "mais diversidade política na sociedade angolana".

Portas escreve ainda "sobre a oportunidade que se abre em Angola. Mesmo que o partido governamental seja o mesmo, o chefe de Estado será outro. É inevitável a abertura de um ciclo novo. O Presidente João Lourenço é um militar muito respeitado e um político de larga experiência. Garantiu o essencial para poder fazer reformas: uma maioria estável. A perícia com que administrar as expectativas de mudança e as garantias de continuidade marcarão o seu mandato".

A última reflexão é recai sobre "o papel que Portugal pode e deve desempenhar".

"Uma parte das instituições e sectores de opinião em Portugal comporta-se como se o império ainda existisse, analisa África sem sequer a conhecer e atua com a arrogância (e o preconceito) dos ‘educadores do povo’", escreve Paulo Portas. "O novo ciclo também é uma oportunidade para que — como país — nos concentremos apenas e só no interesse nacional que tem obviamente em Angola uma das suas afinidades eletivas mais importantes. Se não o fizermos, outros irão ocupando o espaço que deixamos vago."

Leia o artigo de Paulo Portas na íntegra no semanário de Expresso deste sábado.