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Internacional

Supermercado alemão “esvazia” prateleiras de produtos estrangeiros para combater racismo

A loja do grupo Edeka removeu os produtos, substituindo-os por cartazes com mensagens contra o racismo e a xenofobia. Pretendiam assim demonstrar o quanto eles dependem de outros países para puderem adquirir produtos diários básicos

Um supermercado alemão decidiu retirar das suas prateleiras produtos de origem estrangeira, numa tentativa de alertar as pessoas para o racismo e a diversidade. A loja do grupo Edeka, em Hamburgo, removeu esses produtos substituindo-os por cartazes com mensagens contra o racismo e a xenofobia.

As pessoas ficaram surpreendidas ao entrarem no estabelecimento e ao verem que a maior parte da oferta que se encontra disponível diariamente havia desaparecido, demonstrando assim o quanto eles dependem de outros países para puderem adquirir produtos diários básicos.

Os cartazes que preencheram o vazio deixado pela ausência dos produtos continham mensagens como “Esta prateleira seria bastante aborrecida sem diversidade”, “É assim que uma prateleira é sem [produtos] estrangeiros” e “Sem diversidade seremos assim tão pobres”.

“O [grupo] Edeka apoia a variedade e a diversidade. Nas nossas lojas vendemos numerosos produtos que são desenvolvidos em várias regiões da Alemanha. Mas apenas juntamente com os produtos de outros países é possível criar uma diversidade única que os nossos consumidores valorizam”, afirmou uma porta-voz da cadeia de supermercados, salientando que estão muito “satisfeitos” pelo fato da campanha ter causado tantas “reações positivas”.

Julia Klöckner, vice-presidente do partido da União Democrata Cristã, elogiou o movimento nas redes sociais, chamando-o de uma “ação sábia” que daria às pessoas um momento para pensar. No entanto, opiniões negativas também surgiram, dizendo que se tratava de uma campanha de marketing para aproveitar a atmosfera carregada antes das eleições federais do país, no próximo mês.

A imigração tem sido um tema importante na política alemã, desde a decisão da chanceler Angela Merkel, em 2015, de permitir a entrada no país de mais de um milhão de migrantes e refugiados que fugiam da Síria devastada pela guerra.