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Internacional

Três ONG abandonam salvamentos no Mediterrâneo sob ameaça da guarda costeira líbia

Salvamentos no Mediterrâneo vão conhecer dias mais incertos

STEFANO RELLANDINI / Reuters

Médicos sem Fronteiras, Save the Children e Sea Watch deixaram de poder garantir a segurança das suas equipas a operar no Mediterrâneo

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

Depois dos Médicos sem Fronteiras no sábado, a Save the Children e a Sea Watch anunciaram este domingo que vão suspender o salvamento de migrantes no Mediterrâneo. A razão apresentada pelas três organizações não governamentais e divulgada pela agência Reuters deve-se à ameaça das forças costeiras da Líbia, que tomaram uma atitude hostil comprometendo a atuação das equipas.

“Deixamos um vazio mortal no Mediterrâneo”, declarou o fundador da organização alemã Sea Watch. Michael Busch Heuer escreveu na sua página de Facebook que as autoridades líbias tinham emitido uma “ameaça explícita” contra ONG operando em águas próximas da costa líbia.

A tensão tem sido crescente nas últimas semanas entre os grupos de ajuda e o Governo italiano quando este sugeriu que algumas ONG facilitavam o tráfico de pessoas ao mesmo tempo que tenta valorizar o papel da guarda costeira líbia impedindo a partida dos migrantes.
A Reuters lembra que Itália deu início a uma missão naval de treino e apoio à guarda costeira líbia, apesar da oposição mostrada por fações no leste da Líbia rivais do Governo de Tripoli reconhecido pelas Nações Unidas.

A imigração domina a agenda política de Roma até às eleições italianas do início do próximo ano. A opinião pública é cada vez mais hostil aos migrantes desde que mais de 600 mil chegaram às costas de Itália ao longo dos últimos quatro anos. Mais de 13 mil morreram a tentar a travessia.
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