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Líder da oposição isolado enquanto Kenyatta recebe congratulações pela sua vitória nas eleições do Quénia

Raila Odinga dirigindo-se este domingo aos seus apoiantes em Kibera, Nairobi

THOMAS MUKOYA / Reuters

A calma está a regressar aos bastiões da oposição ao Presidente reeleito no Quénia. Raila Odinga foi a Kibera falar aos seus adeptos e disse-lhes que não fossem trabalhar amanhã. De caminho para Mathare, outro bairro de lata de Nairobi, foi seguido pelos fiéis que cantavam "sem Raila não há paz!"

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

Com 11 vítimas mortais já contabilizadas na morgue central de Nairobi, a coligação derrotada nas eleições de terça-feira passada, NASA (National Super Alliance), está a ser cada vez mais pressionada para que faça acalmar os seus apoiantes e parar os protestos, escreve este domingo o jornal queniano “Daily Nation”.

Estes apelos têm origem no Quénia e no estrangeiro e têm por objetivo acabar com dois dias de confrontos entre a polícia e apoiantes do candidato derrotado, Raila Odinga. Os episódios de instabilidade nos bastiões de Odinga pretendem fazer prevalecer a sua declaração de que os resultados eleitorais definitivos, que foram anunciados na sexta-feira à noite pela comissão eleitoral independente, foram manipulados. A oposição recusa-se a aceitar a vitória e reeleição de Uhuru Kenyatta por uma margem folgada (8.203.290 votos contra 6.762.244 para Odinga) alegando que um ataque informático ao sistema de votos eletrónicos permitiu a manipulação dos números de votos.

Raila Odinga deve “mandar uma mensagem clara aos seus apoiantes exortando-os a pararem a violência”, declarou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, secundado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Boris Johnson.

A verdade é que os relatórios dos observadores internacionais que seguiram a votação no Quénia, o reconhecimento internacional e as mensagens de congratulação a Kenyatta estão a deixar a NASA isolada e sem argumentos além do processo em tribunal que são livres de levar adiante.

Neste domingo a vida nos locais com maior concentração de adeptos de Odinga, a cidade de Kisumu (oeste do Quénia) e os bairros de Kibera e Mathare, em Nairobi, parecia estar a voltar ao normal com as lojas a reabrirem, reporta o “Standardigital”.

Raila Odinga manteve o silêncio até este domingo e a coligação mantém a posição oficial de não abandonar a sua argumentação e de recusar-se a recorrer à justiça. De visita a Kibera e Mathare, Odinga disse aos seus adeptos que não fossem trabalhar na segunda-feira. Eles seguiram-nos gritando "sem Raila não há paz!".