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"Rejeitem a violência, o Quénia é maior do que um indivíduo", disse Uhuru Kenyatta ao país

Uhuru Kenyatta até 2020

THOMAS MUKOYA / Reuters

O Presidente eleito quer dar por concluído o processo que o colocou no poder por mais cinco anos. Ainda há numerosas bolsas de protesto em várias zonas do país desafiando a sua vitória e lembrando a violência de eleições passadas

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

Uma equipa de jornalistas da estação queniana KTN foi detida na manhã deste sábado em Kibera, Nairobi, por alegadamente estar a provocar a polícia. O jornalista e o operador de câmara cobriam os protestos naquele bairro da lata da capital queniana após o anúncio dos resultados eleitorais definitivos na sexta-feira, anuncia o diário queniano “The Star”.

Os manifestantes vandalizaram casas e queimaram tendas e as forças de segurança, que tentavam dispersá-los com gás lacrimogéneo, deram também ordem à equipa da KTN para que não filmasse, atingindo-os também.

O site queniano “Standard Digital” reportava na manhã deste sábado a existência de bolsas de resistência de adeptos da coligação NASA, liderada pelo derrotado nestas eleições, Raila Odinga, que estão a provocar distúrbios em Nyanza e em zonas de Nairobi. A polícia tem também tentando controlar os manifestantes em Kisumu, Mathare, Kibera e noutras zonas. Os jornalistas detidos ainda reportaram terem ouvido disparos de armas de fogo e o “Standardmedia” relata que a maioria das ruas de Nyanza estão encerradas, mantendo-se a população no interior das suas casas.

Os protestos irromperam depois de ter sido anunciada a vitória do atual Presidente Uhuru Kenyatta com 8.203.290 votos, que assim transita para a próxima legislatura. O seu rival Raila Odinga, que obteve 6.762.224 votos, declarara várias vezes que não reconheceria os resultados apurados pela comissão eleitoral independente, uma vez que tinha sido alvo de um ataque de pirataria informática.

Na tarde de sexta-feira, o presidente daquela comissão, Wafula Chebukati, anunciou os resultados definitivos do escrutínio das eleições de terça-feira passada, que além do Presidente, elegiam também os governadores das regiões e as mais altas figuras da administração queniana, garantindo que o ataque informático tinha “falhado”.

Kenyatta e Ruto continuam

“Tano tana” para o Presidente do Quénia Uhuru Kenyatta!: “Quero declarar Uhuru presidente eleito e William Ruto o vice-presidente-eleito”, declarou Chebukati entre manifestações de júbilo na assistência. A NASA boicotou este anúncio da comissão eleitoral alegando que as suas reclamações ainda não tinham sido respondidas, escreve “The Star”.

Uhuru Kenyatta recebeu o diploma de reconhecimento oficial da sua vitória e apesar da ansiedade que se fez sentir ao longo de todo o processo, dada a tradição de violência pós-eleitoral no Quénia desde o fim do monopartidarismo em 1991, ao que tudo indica, as eleições de 2017 vão conseguir manter essa tradição à distância, sustentando um novo ciclo de paz no país iniciado nas eleições de 2013.

O Presidente eleito agradeceu a reeleição a todos os quenianos e apelou à oposição para que trabalhasse em conjunto com o Governo. Exortou todos os quenianos a rejeitarem a violência porque “o Quénia é maior que um indivíduo”, lê-se no “Standardmedia”.

Várias publicações de cidadãos quenianos nas redes sociais condenavam a importância que os media internacionais insistiram em dar à expectativa de confrontos pós-eleitorais, argumentando que só se publicavam imagens de confrontos e raramente se ouvia falar nos sufrágios de 2013, decorridos em paz.