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Trump não descarta “opção militar” na “vizinha Venezuela”

JONATHAN ERNST/ Reuters

“Temos tropas por todo o mundo, em países que são muito distantes. A Venezuela não está assim tão longe”, justificou o Presidente norte-americano, que recentemente limitou o acesso de Nicolás Maduro aos sistemas bancários internacionais

Se for necessário intervir militarmente na Venezuela, Donald Trump não terá problema em fazê-lo. Esta sexta-feira, o Presidente norte-americano admitiu a possibilidade de o país participar na resolução do conflito.

“Temos várias opções para a Venezuela. Não excluo a opção militar. É um dos nossos vizinhos. Temos tropas em todo o mundo, em países que estão muito distantes, a Venezuela não está assim tão longe e as pessoas estão a sofrer e a morrer. Temos vários opções para a Venezuela, incluindo, se necessário, a intervenção militar”, disse Trump aos jornalistas em conferência de imprensa.

No entanto, o Presidente não foi claro quanto ao papel que os EUA podem vir a desempenhar, deixando por responder se as tropas americanas iriam liderar uma eventual operação militar. “Não falamos sobre isso. Mas uma operação militar, uma opção militar, é certamente algo que poderemos vir a fazer”, referiu.

Esta sexta-feira, no seu campo de golfe em Bedminster, Nova Jérsia, onde se encontra de férias, Donald Trump esteve reunido com o secretário de Estado, Rex Tillerson, e a embaixadora norte-americana nas Nações Unidas, Nikki Haley.

Os EUA anunciaram recentemente o congelamento de todos os bens de Nicolás Maduro sob sua jurisdição e proibiram todos os cidadãos e entidades norte-americanas de negociar com o Presidente venezuelano. Anteriormente, a Casa Branca já tinha imposto sanções contra 13 pessoas ligadas ao Governo de Caraca, entre as quais Tibisay Lucena, presidente do Conselho Nacional Eleitoral (que viu os seus bens congelados e ficou impedida da fazer negócios com norte-americanos).

Esta semana, 12 países do continente americano assinaram uma declaração conjunta na qual condenam “a rutura da ordem democrática” no país e dizem não reconhecer a nova Assembleia Nacional Constituinte, convocada por Nicolás Maduro, nem aceitar qualquer ordem.

Os países em causa (Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai e Peru) comprometeram-se a “analisar a crítica situação na Venezuela e explorar formas de contribuir para a restauração da sua democracia, através de uma saída pacífica e negociada”. No documento, é destacado, além disso, o espírito de solidariedade da América Latina e a convicção “de que uma negociação, com pleno respeito pelas normas do direito internacional e o princípio de não intervenção, sem atentar contra os direitos humanos e a democracia, é a única ferramenta que assegura uma solução duradoura para as diferenças”.

Ainda esta semana, o Alto Comissariado para os Direitos Humanos das Nações Unidas anunciou a morte de 46 manifestantes pelas forças de segurança venezuelanas. Foi ainda denunciado o uso de força excessiva, no contexto das manifestações contra Maduro, e recurso a métodos de tortura contra detidos.