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Homens de origens pobres duas vezes mais propensos a ficarem solteiros

GETTY

O estudo realizado pelo Instituto de Estudos Fiscais destaca a falta de mobilidade social no Reino Unido

Os homens de meia-idade de origens desfavorecidas são duas vezes mais propensos a ficarem solteiros do que os homens de famílias ricas. A informação foi divulgada num estudo realizado pelo Instituto de Estudos Fiscais (IFS), que destaca a falta de mobilidade social no Reino Unido.

O IFS teve como base para as suas descobertas o mais recente estudo de longo prazo disponível, que entrevistou as pessoas nascidas em 1970 e as acompanhou à medida que envelheciam.

Paul Johnson, diretor do Instituto, avançou à BBC que a relação entre os rendimentos das pessoas nascidas no início de 1970 e a dos seus pais era mais forte do que para as pessoas nascidas no final de 1950.

A pesquisa mostra que as perspetivas de casamento dos homens estão ligadas à sua educação e que a desigualdade entre as famílias pobres aumentou nos últimos anos. Segundo descobriu o estudo, um em cada três homens de origens desfavorecidas eram solteiros aos 42 anos, em comparação com um em cada sete de origens ricas.

O IFS avançou que os homens de famílias mais desfavorecidas tinham duas vezes mais hipóteses de serem divorciados, do que os de médio rendimento, 11% em vez de 5%, e quase duas vezes mais hipóteses de nunca terem sido casados, 36% em vez de 20%.

O estudo diz que há muito se estabeleceu que os filhos de pais mais ricos tendiam a ter rendimentos mais elevados do que aqueles com pais pobres. Em 2012, empregados de 42 anos de idade, cujos pais estavam entre os cinco mais ricos, ganhavam uma média de 88% mais do que as famílias mais pobres.

A pesquisa afirma que os homens de origens desfavorecidas também perdem por não conseguirem atrair ou manter um parceiro. Mesmo entre os homens em casais, os companheiros de homens de origens mais ricas ganham 73% mais do que os parceiros de homens de famílias mais pobres.

Os homens mais pobres têm duas vezes mais probabilidades de estarem sem trabalho do que aqueles de origens mais ricas, descobriu o estudo. Apenas 7% dos homens que cresceram no quinto mais rico das famílias estavam sem trabalho aos 42 anos de idade em 2012, enquanto mais de 15% dos homens do quinto mais pobre das famílias estavam na mesma situação. Este grupo também têm duas vezes mais probabilidades de receber benefícios de invalidez que os de famílias mais favorecidas.

“Concentrar-se unicamente nos ganhos dos homens no trabalho subestima a importância dos antecedentes familiares na determinação do padrão de vida”, disse Chris Belfield, economista de pesquisa da IFS e autor do artigo.

“Além de terem maiores ganhos, as pessoas de famílias mais ricas têm maior probabilidade de estarem a trabalhar, mais propensas a ter um parceiro e mais propensas a ter um parceiro de maior rendimento do que aqueles de origens menos abastadas. E todas essas desigualdades estão a ampliar-se ao longo do tempo”, continua.