Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Xanana Gusmão demite-se do CNRT e defende que partido deve ser oposição em Timor

ANTONIO DASIPARU / EPA

A demissão de Xanana, que surpreendeu os dirigentes e militantes do partido Congresso Nacional da Reconstrução Timorense, surgiu no final de um discurso em que fez uma primeira análise à derrota nas recentes eleições legislativas.

Xanana Gusmão demitiu-se esta sexta-feira da presidência do CNRT, assumindo responsabilidade pela derrota do partido nas recentes legislativas timorenses, e defende que o partido não deve entrar numa coligação de governo e deve ser oposição.

"Com um sentimento de tristeza, mas que não consegue reduzir um orgulho muito profundo por ter liderado um partido como o CNRT, também eu, obedecendo ao imperativo da minha consciência, tenho que tomar uma decisão sobre mim mesmo", disse o até agora líder do Congresso Nacional da Reconstrução Timorense.

"Demito-me do cargo de presidente do partido, estando sempre ao dispor desta grande organização política partidária. Nos próximos cinco anos empenhar-me-ei a prestar o meu total apoio para a melhoria e consolidação do partido CNRT, que eu respeito, porque pulsa no meu coração", anunciou.

A demissão de Xanana, que surpreendeu os dirigentes e militantes do partido, surgiu no final de um discurso em que fez uma primeira análise à derrota do partido nas eleições legislativas de 2017.

Depois de ter estado afastado da vida pública desde a votação - período em que diz ter estado a fazer uma reflexão sobre as eleições – Xanana Gusmão disse que o voto mostrou que a população timorense "não confia no CNRT para governar" e quer "alternância" no Governo.

O CNRT, disse, deve ser fiel ao seu compromisso e, por isso, Xanana Gusmão defende que a conferência que decorre até domingo aprove uma resolução em que confirma que será oposição e não integrará o próximo Governo liderado pela Fretilin.

"O partido CNRT decide estar no Parlamento como oposição, querendo, deste modo, continuar a contribuir no processo de construção do Estado e de construção da nação, para consolidar a transição democrática neste país", disse Xanana Gusmão.

O líder histórico timorense foi taxativo, afirmando que "o partido não aceitará propostas, de ninguém, nem convidará nenhum partido para formar coligações, porque não pretende participar no Governo" e que não se vai repetir o que ocorreu em 2007, quando o CNRT foi o segundo mais votado atrás da Fretilin mas "para resolver a crise que o país vivia", optou por formar uma aliança de maioria parlamentar.

"Hoje, todos desfrutamos de um ambiente diferente – um ambiente de paz e estabilidade! Por esta mesma razão, temos que reconhecer que a situação de 2017 não é a de 2007", afirmou.

Congratulando a Fretilin pela vitória nas eleições, Xanana Gusmão disse que durante a campanha só ouviu "críticas de que o CNRT não tinha capacidade de governar e foi, por isso, que teve que chamar outros partidos para o ajudar".

"Também ouvimos, durante todo o mês, que, durante o mandato do CNRT, houve muita corrupção, pelo que a maioria do povo deixou de confiar no partido", afirmou.

"Este é o momento certo para a FRETILIN, como o partido vencedor das eleições de 2017, assumir, e com plena legitimidade, as rédeas do Governo", disse ainda.

A conferência nacional de quadros do partido CNRT decorre sob fortes medidas de segurança, com os jornalistas autorizados apenas na abertura e todos os participantes a terem que deixar os telefones no exterior. "A conferência é fechada e limitada apenas às estruturas superiores do partido", explicou à Lusa um dos vice-presidentes do partido, Vergílio Smith.

Participam no encontro cerca de 240 conferencistas, incluindo os elementos da Comissão Política Nacional da Comissão Diretiva Nacional e das estruturas máximas ao nível municipal e dos postos administrativos.

A reunião terminará com uma declaração final, não estando ainda confirmada a realização de uma conferência de imprensa.