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Internacional

É mais fácil matar um autarca que combater a Jihad

NOEL CELIS/GETTY

Polícia filipina dá continuidade à ordem do presidente Duterte de matar traficantes de droga e liquida presidente de Câmara de Ozamiz. Mas no sul da ilha de Mindanau o exército não consegue expulsar a guerrilha jiadista da cidade de Marawi

Um presidente de Câmara acusado pelo presidente das Filipinas Rodrigo Duterte de estar ligado ao tráfico de droga foi morto pela polícia. Na operação, além do autarca de Ozamiz, Reynaldo Parojinog, foram mortas mais 14 pessoas. “Os guarda-costas do autarca dispararam contra a polícia e esta respondeu”, explicou à agência France-Presse o porta-voz policial. Terão sido apreendidas na busca domiciliária, granadas, munições de droga.

Parojinog é o terceiro presidente de Câmara que figurava na “lista negra” do presidente (suspeita de ligações ao narcotráfico) a ser morto pela polícia. Ao ser eleito na Primavera de 2016 Duterte prometera mandar matar dezenas de milhares de traficantes de droga. Objectivo: evitar que o país se transformasse num narco-estado. Desde então calcula-se que tenham sido executadas extra-judicialmente à volta de 3200 pessoas.

Ainda é cedo para avaliar o impacto real da acção dos esquadrões da morte de Duterte no tráfico de droga, para não falar na vitalidade da democracia e na situação dos direitos humanos. Mas onde a retórica sanguinária de Duterte ficou aquém das expectativas foi no combate ao terrorismo.

Há dois meses que grupos jiadistas, alguns dos quais inspirados pelo longínquo Daesh, se apoderaram da cidade de Marawi, no sul da ilha de Mindanau. Bem armados e combinando ataques suicidas com armadilhas explosivas e guerra clássica têm dado que fazer às tropas filipinas. Estas, desprovidas de veículos blindados de transporte de pessoal e de aeronaves de ataque ao solo, têm usado e abusado dos tiros de artilharia e dos bombardeamentos verticais com aviões obsoletos, com consequências desastrosas para edifícios e civis. A existência de outros focos de guerrilha em território filipino (alguns de inspiração comunista) tem impedido a utilização em Marawi de mais elementos das forças especiais, designadamente fuzileiros.