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Primeiro-ministro do Paquistão afastado por causa dos Panama Papers

ARIF ALI/GETTY

Nawaz Sharif “já não é mais apto para ser um membro honesto do Parlamento e cessa as suas funções no cargo de primeiro-ministro”, segundo um dos cinco juízes do Supremo Tribunal do Paquistão

O primeiro-ministro do Paquistão, Nawaz Sharif, foi esta sexta-feira destituído do cargo, numa decisão tomada por unanimidade por cinco juízes do Supremo Tribunal. Estes consideraram que o chefe de Governo e os seus familiares estão envolvidos em empresas sediadas em paraísos fiscais, conforme fora divulgado pelos Panama Papers, não conseguindo justificar a sua fonte de riqueza.

“Ele já não é mais apto para ser um membro honesto do Parlamento e cessa as suas funções no cargo de primeiro-ministro”, afirmou o juiz Ejaz Afzal Khan.

Shrif, de 67 anos, declarou-se inocente das acusações de corrupção que pairam sobre ele.

O tribunal também determinou o afastamento do ministro das Finanças Ishaq Dar, um dos mais próximos aliados do primeiro-ministro.

Os juizes recomendaram que sejam iniciados processos de corrupção contra Sharif, a sua filha Maryam e o marido Safdar, assim como ao ministro Ishaq Dar, entre outros.

O partido de Sharif, a Liga Nawaz do Paquistão Muçulmano, que tem maioria no Parlamento, deverá nomear um novo primeiro-ministro que deve manter-se em funções até que sejam levadas a cabo eleições no próximo ano.

Antes da decisão ter sido anunciada, diversos membros do Governo, entre os quais algumas das figuras mais próximas de Nawaz, indicaram que o partido iria respeitar a decisão do tribunal.

“Vai, Nawaz, vai”, gritaram apoiantes do partido da oposição PTI, à entrada do tribunal, celebrando a decisão. “Aqueles que estão felizes e a dançar vão chorar amanhã”, comentou por seu turno o ministro Abid Sher Ali, em declarações citadas pela Reuters. “Eles esfaquearam a democracia pelas costas”, acrescentou.

“Isto não é responsabilização, é uma vingança”, escreveu no Twitter o ministro dos Caminhos de Ferro, Khawaja Saad Rafiq, horas antes do veredicto ser anunciado.

Esta era a terceira vez que Sharif estava à frente do Governo do Paquistão. Foi primeiro-ministro entre novembro de 1990 e julho de 1993, entre fevereiro de 1997 e outubro de 1999, quando foi afastado por um golpe de Estado, tendo depois regressado do exílio e ganho as eleições de 2013.