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Internacional

Residentes de cidade francesa erguem muro à volta de abrigo de refugiados

Na semana passada, estas crianças e outras famílias de migrantes foram ameaçadas de expulsão das casas onde estão alojadas desde 2015 em Athis-Mons pela Direção-Geral de Aviação Civil, que é proprietária do terreno

PATRICK KOVARIK / AFP / Getty Images

Grupo de habitantes de Séméac critica o facto de não ter sido consultado pela autarquia sobre plano para alojar cerca de 85 requerentes de asilo em hotel ao abandono

Um grupo de habitantes de Séméac, cidade no sul de França próxima dos Pirinéus, construiu um muro ao redor de um hotel abandonado para impedir que a autarquia utilize o edifício para dar abrigo a algumas dezenas de requerentes de asilo dos milhares que chegaram ao país há dois anos.

Os residentes ergueram a barreira de 18 metros de comprimento e de quase dois metros de altura à volta do antigo hotel Formule 1 na madrugada desta terça-feira, acusando as autoridades de não os terem consultado sobre o plano para alojar ali até 85 pessoas. A BBC diz que nem a autarquia nem a polícia reagiram ainda à construção do muro.

“Não somos contra o acolhimento de migrantes, mas [as autoridades] têm de ter em conta os cidadãos”, sublinhou o porta-voz do grupo. Em declarações à AFP, Laurent Teixeira alegou que a pequena cidade, com cerca de 5500 habitantes, não tem capacidade para receber e integrar migrantes.

O antigo hotel de Séméac é um de dezenas de edifícios ao abandono espalhados pelo país que foram comprados pelo Estado francês para albergar requerentes de asilo, a maioria dos quais tem estado a dormir nas ruas, sobretudo depois de as autoridades terem desmantelado o campo de Calais, no norte, na fronteira marítima com o Reino Unido.

De acordo com dados do Eurostat, em 2015, num dos picos da crise de refugiados na Europa, a França ofereceu asilo a 20.630 pessoas. Há duas semanas, o primeiro-ministro, Edouard Philippe, anunciou que, ao longo dos próximos dois anos, vão ser criados 7500 novos locais para alojar requerentes de asilo e 5000 para acolher refugiados.

O plano do governo surge numa altura em que as autoridades francesas continuam a desmantelar campos improvisados de requerentes de asilo, sobretudo ao redor da capital. Desde 2015, houve pelo menos 34 operações desta natureza só em Paris.