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Expresso

Internacional

Supremo Tribunal julga primeiro-ministro acusado de corrupção

Christopher Furlong/GETTY

O chefe de Governo paquistanês insiste na sua inocência, acusando a oposição de querer “desestabilizar o país”

O Supremo Tribunal do Paquistão inicia esta segunda-feira as audições ao primeiro-ministro Nawaz Sharif, acusado de corrupção, na sequência do escândalo dos Panama Papers. O processo, com 254 páginas, contém indícios de que a família do chefe do Governo comprou apartamentos de luxo em Londres através de sociedades offshore. Nawaz Sharif garante, contudo, que as habitações foram adquiridas de “forma legítima” pelos seus filhos.

Em abril, a Comissão de Investigação Conjunta revelou ter encontrado “disparidades significativas entre os rendimentos declarados e as fontes de rendimento e riqueza acumulada pela família de Nawaz Sharif”. A filha do governante, Maryam Sharif, era ao que aparece a proprietária das empresas offshore, segundo um documento assinado pela própria em fevereiro de 2006. Há, no entanto, dúvidas sobre a autenticidade do mesmo, uma vez que está escrito na fonte Calibri, que só passou a estar disponível desde janeiro de 2007.

Já a oposição acusa a família do primeiro-ministro de usar a sua influência política para acumular riqueza e apela à demissão do governante. “Eu demitia-me por vergonha se estivesse no lugar de Nawaz Sharif. Mas se ele não for condenado temos que ir para as ruas protestar para salvar a democracia”, afirmou este fim de semana Imran Khan, o líder da oposição, num comício.

O chefe de Governo paquistanês reiterou este sábado a sua inocência, acusando a oposição de querer “desestabilizar o país”. Aos 67 anos, Nawaz Sharif lidera o governo depois de ter exercido as mesmas funções em 1993 e 1997. Em 1999, o governante foi afastado do cargo, na sequência de um golpe de Estado, tendo vivido depois 10 anos exilado.