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Internacional

Administração Trump divulga informações privadas de críticos

O secretário de Estado do Kansas, Kris Kobach, foi o homem escolhido por Trump para chefiar a Comissão de Integridade Eleitoral a par do vice-presidente, Mike Pence

Drew Angerer

Casa Branca decidiu publicar emails de cidadãos que se queixaram do plano do governo para investigar alegada “fraude eleitoral em massa” nas presidenciais sem censurar informações sensíveis dos remetentes, como as suas moradas e números de telefone

Depois de mais de 40 estados norte-americanos se terem recusado a fornecer informações privadas sobre os seus eleitores a uma comissão encarregada de investigar a alegada "fraude em massa" ocorrida nas presidenciais de 2016, a Casa Branca reagiu às preocupações de alguns eleitores publicando os seus dados pessoais mais sensíveis, como nomes completos, moradas e contactos telefónicos.

No mês passado, a "comissão de integridade eleitoral" criada a mando de Donald Trump enviou pedidos formais aos governos dos 50 estados norte-americanos, pedindo a cada estado que fornecesse os nomes, filiações partidárias, moradas residenciais e os últimos quatro dígitos dos números de Segurança Social de cada eleitor.

Na altura, a administração garantiu que nenhum desses dados seria divulgado publicamente. Nas semanas seguintes, a maioria dos estados recusou integrar os esforços, alegando que o plano põe em risco a privacidade dos cidadãos, e dezenas de eleitores enviaram críticas e queixas ao governo federal através do site oficial da comissão.

O que aconteceu a seguir foi que a Casa Branca decidiu publicar alguns desses emails sem censurar os dados dos remententes, desde nomes, endereços de email, moradas e números de telefone, que estavam incluídos nas mensagens.

"Na prática, a Casa Branca acabou de divulgar informações pessoais sensíveis de muitos cidadãos preocupados que deram feedback ao seu governo", apontou o site Vox no final da semana passada. "Isto é ainda mais grave, considerando que a Casa Branca o fez quando a coisa de que os cidadãos se queixaram era a possibilidade de as suas informações privadas serem tornadas públicas."

"NÃO DIVULGUEM NENHUM DOS MEUS DADOS DE ELEITOR, PONTO FINAL", lê-se num dos emails cujo remetente acabaria por ver os seus dados publicados no site oficial da comissão. Nesse site pode ler-se: "Por favor, note que a Comissão pode divulgar alguns comentários escritos publicamente no nosso website, incluindo nomes e informações de contacto que sejam submetidos." O Vox aponta que não é certo se as pessoas sabiam disto ou se esta mensagem só foi acrescentada depois de a comissão ter começado a receber queixas por escrito assim que o site foi lançado há uma semana.

Reagindo às críticas, um porta-voz do vice-presidente Mike Pence, que é um dos líderes da comissão, defendeu a decisão da Casa Branca: "Existem comentários públicos que são o mesmo que indivíduos aparecerem na comissão para fazerem comentários e fornecerem o seu nome antes de o fazerem", declarou Marc Lotter. "O aviso do Registo Federal da Comissão a pedir comentários públicos e o site deixam claro que informações 'como os nomes e informações de contacto' enviadas para este endereço de email podem ser divulgadas."