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Internacional

Egípcio que esfaqueou e matou duas turistas alemãs falou primeiro com elas

A conversa terá sido em alemão, segundo contaram as autoridades

Luís M. Faria

Jornalista

O homem que sexta-feira passada esfaqueou mortalmente duas turistas alemãs num resort egípcio de Hurgada falou primeiro com elas. A informação foi dada pelas autoridades do país. O alegado criminoso, que se encontra preso, foi identificado como Adbel-Rahman Shaaban, de 29 anos.

Shaaban licenciou-se em gestão e não estava sinalizado pelas autoridades. Embora de momento não haja certeza sobre os seus motivos, um porta-voz do Estado Islâmico na zona apelou recentemente a esse tipo de ataques, contra não-muçulmanos e especificamente contra turistas.

O turismo, uma indústria-chave no Egipto, ainda não recuperou dos tumultos que levaram à queda do então presidente Hosni Mubarak em 2011. O breve período da Irmandade Islâmica no governo terminou com a deposição do presidente Muhamad Morsi, vencedor das eleições de 2012, num golpe militar em 2013. Desde essa altura, a situação mantêm-se instável, com inumeráveis atos de violência públicos.

O ataque foi cometido numa zona que não é de acesso à generalidade do público. Shaaban terá nadado de uma praia pública próxima até à praia privativa do hotel em que as turistas se encontravam. Após falar com elas em alemão, esfaqueou-as com uma grande faca de cozinha e começou a correr para dentro do hotel.

Testemunhas descreveram uma cena em que o homem, enquanto fugia dos seus perseguidores, gritava que não queria atacar egípcios. Acabou por ser apanhado, mas não sem antes, ferir outras quatro turistas, duas arménias, uma ucraniana e uma checa.

O ministério dos Negócios Estrangeiros alemão lamentou os acontecimentos numa declaração oficial: “Segundo tudo o que sabemos, este ato foi dirigido a turistas estrangeiros – um ato criminoso particularmente pérfido que nos deixa tristes, desolados e com raiva”.