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Internacional

Adolescente acusado de cinco ataques com ácido em Londres

É um tipo de crime que está a aumentar, até por ser mais fácil arranjar ácido do que outras armas

Luís M. Faria

Jornalista

Um adolescente britânico de 16 anos foi ontem acusado de mais de uma dúzia de crimes e vai ficar detido enquanto espera julgamento, na sequência de cinco diferentes ataques com ácido praticados na noite da passada quinta-feira. É o último numa série de casos semelhantes que tem vindo a alarmar as autoridades e o público britânico. Em 2017, já houve vários ataques particularmente chocantes, incluindo o de dois muçulmanos que foram atingidos quando se encontravam dentro do seu carro, em junho passado.

Desta vez, os ataques aconteceram após o jovem e um seu amigo de 15 anos (a quem o tribunal enviou para casa) terem roubado uma motocicleta. Ao longo de 90 minutos percorreram zonas do norte e leste do Londres, atirando ácido à cara de outros motociclistas, geralmente entregadores de fast-food. Pelo menos num dos casos, os atacantes roubaram o veículo à vitima depois de a atacarem.

Os ataques com ácido, tradicionalmente associados a crimes "de honra" ou "de paixão" e quase sempre dirigidos contra mulheres, estão a adquirir outras conotações no Reino Unido. Ao que parece, tornaram-se arma de eleição dos gangas. Além da crueldade que implicam – uma crueldade desejada quando se trata de castigar um rival ou um inimigo – é muito mais fácil arranjar ácido do que pistolas ou facas, e custa muito menos transportá-lo sem dar nas vistas. Quem pode dizer o que realmente se encontra dentro de uma garrafa?

O criminoso pode ser mais difícil de identificar

Também há menos risco de ficarem vestígios de ADN, explicou um criminologista. E se a vítima ficar total ou parcialmente cega, como é frequente, torna-se difícil identificar os criminosos.

Outra vantagem para estes é que, enquanto um ataque com faca ou arma de fogo costuma ser considerado tentativa de homicídio nos tribunais, se for com ácido é ofensa corporal agravada, com uma pena bastante menor. Atendendo à dimensão atual do problema, o governo britânico está a pensar mudar a lei. A ideia é impor prisão perpétua nesses casos - para não serem só as vitimas que têm de pagar até ao fim da vida, justificou a ministra do Interior.

Nos últimos três anos, os crimes deste tipo mais do que duplicaram no Reino Unido. Os números oficiais rondam as cinco centenas, mas na realidade haverá mais – 700, segundo estimativas de uma associação que trabalha com vítimas. Um jornal garantiu que mesmo em escolas esses ataques já acontecem. Um menino de 13 anos, entrevistado anonimamente, disse que nem toda a gente tem coragem de esfaquear uma pessoa, mas borrifá-la é diferente.