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Chuva de sacos de droga anunciada por Trump seria fisicamente impossível... pelo menos à mão

SAUL LOEB/ Getty Images

Um professor de física e gente ligada a concursos de lançamento de objetos pesados fizeram as contas e afirmam que ninguém conseguiria lançar um saco com aquele peso àquela altura

Luís M. Faria

Jornalista

Donald Trump deu ao mundo informação sobre mais um aspeto do muro que quer construir na fronteira entre o México e os Estados Unidos: tem de ser transparente. Isto para evitar, disse o Presidente aos jornalistas, que algum mexicano atire um saco com 60 libras (27 quilos) de droga e acerte num americano desprevenido que se encontre do outro lado.

Um saco com esse peso, caindo a alto velocidade, poderia de facto causar sérios danos físicos às pessoas a quem atingisse. Mas o risco não é real. Pelo menos segundo o diário "Washington Post", que consultou vários especialistas.

Um dos entrevistados é um professor de física na New York University. Ele notou que, embora a existência de variáveis relevantes impeça chegar a uma estimativa perfeita, já existem competições onde seres humanos extremamente fortes atiram objetos pesados ao ar, procurando atingir a maior altura possível. Os resultados dessas competições não apoiam a teoria de Trump.

Tendo em conta que o Presidente parece estar a planear um muro com cerca de quinze metros de altura, qual seria a viabilidade de alguém lançar a uma altura dessas um saco de quase trinta quilos? Absolutamente nenhuma, responde o diretor de uma empresa que organiza aquele tipo de competições, igualmente entrevistado pelo "Washington Post". O recordista atual consegue lançar um barril de cerveja com menos de vinte quilos a sete metros de altura. Com uma técnica "giratória", o peso pode ser bastante maior (ainda abaixo dos 27 quilos) mas a altura não sabe muito.

A única forma de conseguir lançar um saco como o descrito por Trump à altura da sua projectada barreira seria... usando uma catapulta, ou outro engenho semelhante.

Mesmo nessa hipótese, é de supor que os traficantes teriam o cuidado, antes de qualquer lançamento, de se certificarem sobre quem se encontrava no outro lado. E essas pessoas, evidentemente, estariam avisadas.