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Ao lado de Macron, Trump sinaliza que pode alterar decisão sobre Acordo do Clima

AFP

Presidente norte-americano está em Paris, onde em 2015 quase todos os países do mundo assinaram um tratado para combater o aquecimento global. Lista de signatários incluía os EUA, até Trump ter retirado o país do acordo há um mês

O Presidente francês disse ontem que "respeita" a decisão de Donald Trump em retirar os Estados Unidos do Acordo do Clima de Paris, sublinhando contudo que o seu país continua empenhado em combater as alterações climáticas.

"Sobre o clima sabemos quais são as nossas diferenças", disse Emmanuel Macron ao lado de Donald Trump, durante uma visita oficial do Presidente norte-americano à capital francesa, a mesma onde, no final de 2015, 195 países assinaram um histórico acordo para limitar a subida da temperatura do planeta.

Ao lado de Macron, Trump sugeriu logo a seguir que poderá reverter a sua postura quanto às alterações climáticas, sem avançar como nem quando. "Algo pode vir a acontecer no que toca ao Acordo de Paris", disse aos jornalistas. "Vamos ver o que acontece."

No final de maio, depois de uma conturbada cimeira do G7 em Itália, o líder dos EUA decidiu abandonar o Acordo do Clima, dizendo que queria negociar um novo tratado mais "justo" que não represente desvantagens para as empresas norte-americanas. Vários líderes da Europa e do resto do mundo garantem que não estão dispostos a renegociar o acordo.

Após a reunião de ontem, uma semana depois de se terem cruzado na cimeira do G20 em Hamburgo, Macron disse que decidiu pôr a questão das alterações climáticas de lado para que pudessem debater questões em que existe cooperação, entre eles um cessar-fogo na Síria e as trocas bilaterais.

"Temos divergências", reconheceu o Presidente de França, antes de acrescentar: "O sr. Trump tinha promessas que fez aos seus eleitores e eu as minhas — deverá isto impedir o progresso em todos os assuntos? Não."

Com o tema do Ambiente posto de parte, os dois líderes discutiram estratégias conjuntas de combate ao terrorismo, em particular as operações militares contra o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) no Iraque e na Síria.

"Os EUA estão extremamente envolvidos na guerra do Iraque", declarou Macron. "Gostaria de agradecer ao Presidente tudo o que as tropas americanas têm feito naquela área. Concordámos em dar continuidade ao nosso trabalho conjunto, em particular na preparação de um roteiro para o pós-guerra."

Aos jornalistas, Macron também disse que França vai tentar "assumir várias iniciativas robustas" para que haja maior estabilidade e "mais controlo na região".

Gaffe e protestos

Em Paris para uma visita oficial de dois dias, Trump foi recebido na quinta-feira por Macron com uma cerimónia oficial militar, antes de ser conduzido ao túmulo de Napoleão. O dia acabaria por ficar marcado por um comentário do Presidente norte-americano à "ótima forma física" da primeira-dama francesa, Brigitte Macron, captado pelas câmaras de televisão.

Esta sexta-feira, os dois líderes vão participar lado-a-lado nas celebrações oficiais do Dia da Bastilha; este ano, o 228.º aniversário da Revolução Francesa coincide com o centenário da entrada das forças norte-americanas na I Guerra Mundial.

À BBC, William Jordan, um ex-diplomata americano que trabalhou para o Departamento de Estado, diz que a visita de Trump está a ser vista como uma oportunidade para o Presidente dos EUA "ser levado a sério no mundo", numa altura em que continua a angariar muitas críticas deste lado do Atlântico.

Para Jordan, esta é uma visita em larga medida "simbólica", que hoje deverá gerar alguns protestos contra o líder norte-americano na capital francesa, com manifestantes a organizarem-se no Facebook para criar uma "Zona Sem Trump" na Praça da República.