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Internacional

477 emigrantes da Venezuela receberam apoio da Segurança Social

As ajudas da Segurança Social da Madeira a cidadãos portugueses oriundos da Venezuela aumentaram 50 mil euros entre maio e junho. Os regressos terão estabilizado, mas o Governo Regional admite uma nova vaga em agosto

Marta Caires

Jornalista

O relatório para entregar ao secretário de Estado das Comunidades, que visita à Madeira na próxima semana, está quase pronto, mas desde maio que se sabe que o orçamento da região terá de ter um reforço de verbas para a Saúde e Segurança Social se o ritmo de chegadas de portugueses da Venezuela voltar a aumentar. Entre setembro do ano passado e junho deste ano, a Segurança Social apoiou 477 emigrantes e luso-descendentes, o que significou um aumento dos gastos em 150 mil euros. Um terço destas ajudas foi concedido entre maio e junho a 197 pessoas.

A estes dados o relatório fará ainda referência aos 1000 inscritos no Instituto de Emprego, aos 230 à espera de habitação e ao aumento dos gastos com as comparticipações de medicamentos, na ordem das centenas de milhares de euros. A ideia, explica Sancho Gomes, responsável pelo Centro das Comunidades (organismo público de apoio aos emigrantes madeirenses), é deixar claro quais as áreas mais pressionadas pela chegada destes emigrantes e luso-descendentes, sendo que uma parte destas pessoas está numa situação muito precária. Será apesar de tudo uma pequena parte dado que às estimativas do Governo Regional indicam que terão regressado à Madeira entre 3000 a 4000 pessoas vindas da Venezuela.

Desde a visita conjunta de Sérgio Marques e José Luís Carneiro à Venezuela no fim de maio foi criado um gabinete de atendimento aos emigrantes na Madeira e, no mês que leva em funcionamento, já atendeu 60 famílias, a maioria vem pedir informações, saber onde e como regularizar a nacionalidade, o que fazer nas questões de equivalências de cursos. Na verdade, maioria quer indicações para se orientar melhor nos serviços públicos portugueses. O relatório a entregar ao secretário de Estado também fará referência a isso, não será apenas para pedir dinheiro, mas para que exista compreensão. “Muitos não trazem documentos em papel oficial da Venezuela porque já não há papel timbrado na Venezuela”, lembra Sancho Gomes.

Assuntos que serão abordados a 18 e 19 de julho, já na próxima semana, durante a visita de José Luís Carneiro. Para já é certo que os regressos estabilizaram depois do pico em abril e maio, o que coincidiu com as manifestações nas ruas de Caracas. O governo regional não sabe no entanto quanto tempo durará esta acalmia já que o ano lectivo termina no fim do mês e a 30 de julho há a eleição para a Assembleia Constituinte. “A evolução da situação na Venezuela será determinante, mas não podemos excluir mais um regresso em massa durante o Verão”.