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WikiLeaks contactou Trump Jr. para publicar os seus emails anonimamente

REVELAÇÕES SÃO ALERTA Julian Assange, fundador da Wikileaks

REUTERS

Julian Assange diz que se ofereceu para publicar a troca de correspondência que o filho do Presidente tornaria pública esta semana, na qual um intermediário russo lhe diz que o Governo de Vladimir Putin queria “ajudar” o seu pai a ser eleito

O fundador da WikiLeaks, Julian Assange, revelou esta semana que contactou Donald Trump Jr. para lhe propor a publicação anónima dos emails que o filho mais velho do Presidente dos EUA trocou com um intermediário russo no ano passado para marcar um encontro com uma advogada próxima do Governo de Vladimir Putin.

Segundo Assange, Trump Jr. recusou a sua oferta e decidiu ele próprio divulgar publicamente a troca de correspondência duas horas depois da alegada conversa; quis adiantar-se ao “New York Times”, assim que o jornal revelou que já tinha esses emails em sua posse e que iria publicá-los.

O fundador da WikiLeaks, que continua a viver exilado na embaixada do Equador em Londres, não referiu como é que contactou Trump Jr. na passada terça-feira. Disse, sim, que se ofereceu para divulgar os emails de forma anónima através da sua plataforma porque se “os inimigos dele já os tinham, então porque não o público?”

Os “inimigos” referidos poderão ser os jornalistas do “New York Times” que, desde sábado, foram descortinando mais pormenores sobre o encontro que teve lugar a 9 de junho de 2016 entre Trump Jr., a advogada russa Natalia Veselnitskaya, o então diretor da campanha republicana, Paul Manafort, e Jared Kushner, genro do Presidente e também seu conselheiro na Casa Branca.

Assange, que sempre defendeu maior transparência governamental, encorajando delatores em todo o mundo a passarem-lhe informações controversas prometendo-lhes anonimato, defende que era preferível publicar os emails em questão de forma anónima por ser mais “seguro” para Trump Jr. e porque, sendo o filho do Presidente a divulgá-los assumidamente, se torna “mais fácil” que o conteúdo da correspondência cibernética seja usado como prova de conluio entre o círculo próximo do atual Presidente e o Governo russo para impedir a vitória de Hillary Clinton.

A WikiLeaks desempenhou um papel fulcral na corrida eleitoral do ano passado, ao divulgar emails da Comissão Nacional Democrata e do diretor da campanha de Clinton, John Podesta, que segundo as agências secretas norte-americanos terão sido obtidos por hackers com ligações ao Governo russo.

Nos emails trocados entre Trump Jr. e o publicitário Rob Goldstone, o segundo (a agir como intermediário a pedido de um cliente seu, a estrela da pop russa Aras Agalarov) sugere ao primeiro que se encontre com uma advogada “do Governo russo” porque este quer “ajudar” o seu pai a vencer as presidenciais, fornecendo-lhe informações “danosas” para a campanha rival.

Na resposta, Trump Jr. diz: “Obrigado Rob, agradeço-te isso. Estou na estrada neste momento mas se calhar é melhor falar primeiro só [com Emin]. Parece-me que vamos ter algum tempo disponível e se é o que dizes... adoro isso especialmente no final do verão. Podemos falar por telefone no início da próxima semana quando eu regressar?”

Num comunicado, o último de uma série de reações contraditórias desde que o NYT relevou pela primeira vez que este encontro teve lugar, Trump Jr. disse que decidiu divulgar a correspondência “para ser totalmente transparente” e explicou que a estrela pop representada por Goldstone bem como o seu pai, o bilionário russo Aras Agalarov, sugeriram que tinham “uma investigação de oposição política” contra Clinton para partilhar com ele.

Num comunicado anterior, o filho de Trump tinha garantido que o encontro com Veselnitskaya teve como único objetivo discutir um programa de adoção de crianças russas por casais norte-americanos — que tinha acabado de ser suspenso por Vladimir Putin como retaliação contra uma lei aprovada pelo Congresso dos EUA para rejeitar vistos e congelar bens de indivíduos do Governo russo suspeitos de violações de direitos humanos.

Com a divulgação dos emails, Trump Jr. fica mais vulnerável a potenciais julgamentos por suspeitas de violação das leis de financiamento de campanhas eleitorais e, no limite, de traição à pátria — a “New Yorker” coloca a hipótese de ele ter posto a sua própria cabeça na guilhotina para salvar o pai.

Donald Trump, esse, continua a garantir que não sabe “nada sobre a Rússia”, apesar de um vídeo obtido pela CNN provar que socializa com os Agalarov desde pelo menos 2013. Também continua a dizer-se vítima da “maior caça às bruxas da História” dos EUA e a garantir que nunca soube desse encontro — apesar de ter sido 40 minutos depois da reunião começar que referiu pela primeira vez os emails de Clinton, os mesmos que seriam obtidos por hackers russos e divulgados pela WikiLeaks no decorrer da campanha.