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Internacional

Republicano ameaça reabrir investigação a Clinton se democratas não desistirem do caso Trump-Rússia

King integra a comissão judiciária da Câmara dos Representantes

Win McNamee

Numa entrevista à CNN na quarta-feira à noite, Steve King também disse que os verdadeiros culpados de “conluio” são James Comey, o diretor do FBI que Trump despediu, e Robert Mueller, nomeado pelo Departamento de Justiça para liderar as investigações em curso após Comey ter sido afastado

“Se isto continuar, a imobilização da presidência por causa deste tipo de coisas, o Congresso vai ser forçado a fazer uma investigação [a Hillary Clinton], uma investigação aprofundada e completa, o que implicará voltarmos aos 650 mil emails de Anthony Weiner e investigarmos [o ex-diretor do FBI, James] Comey e as suas atividades.”

Foi esta a ameaça proferida pelo republicano Steve King numa entrevista à CNN na quarta-feira à noite, dando a entender que vai usar o seu poder enquanto membro da comissão judiciária da Câmara dos Representantes para reabrir a investigação a Clinton se os democratas não pararem de acusar Donald Trump de “conluio” com o Governo da Rússia.

Pressionado pela entrevistadora, Alisyn Camerota, para esclarecer o que estava a sugerir, King disse que as pessoas imputáveis pelo crime de conluio são Comey — o homem que Trump despediu da direção do FBI em maio, após tê-lo pressionado para que parasse de investigar as suspeitas de ligações à Rússia — e Robert Mueller — o antigo diretor da mesma agência que foi nomeado para liderar essas investigações após Comey ter sido afastado.

“O que estou a dizer é isto: que a investigação de Comey e o facto de, ainda por cima, ele ter escolhido o conselheiro especial é que parece ser conluio.” Isto não é factual, já que Mueller foi nomeado para chefiar os inquéritos à ingerência russa e às suspeitas de colaboração entre a equipa de Trump e o Governo russo não por Comey mas pelo vice-procurador-geral dos EUA, Rod Rosenstein.

A tentativa de desviar as atenções das suspeitas de conluio do atual Presidente com um governo estrangeiro para derrotar Clinton nas eleições — reforçadas esta semana com a divulgação de emails que o seu filho mais velho trocou com um intermediário russo para obter podres sobre a rival do pai — não é uma estratégia de agora.

Isto aconteceu em maio, quando ao lado do ex-diretor dos Serviços Secretos, James Clapper, a ex-procuradora-geral Sally Yates (despedida por Trump em janeiro) revelou no Senado que avisou a atual administração sobre os riscos de contratar Michael Flynn por causa da sua proximidade a Moscovo. Aí, o senador republicano Ted Cruz virou o questionário para o facto de Clinton ter usado um servidor privado enquanto secretária de Estado de Barack Obama — um inquérito que dominou a campanha de 2016 e que acabaria por ser arquivado quando se comprovou que a democrata não cometeu ilegalidades.

Em junho, um mês depois da audiência de Yates e um mês depois de ter sido despedido, James Comey também foi ao Senado confirmar que o Presidente o pressionou a abandonar a investigação a Flynn — o general que Trump nomeou para chefiar o Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca apesar dos avisos de Yates e que seria forçado a resignar ao cargo em fevereiro, após ter sido denunciado que manteve contactos ilegais com o embaixador da Rússia em Washington. Durante essa audiência, o senador republicano John Cornyn também tentou orientar o questionário para os emails de Clinton.

Recentemente, numa entrevista à Fox News, o senador republicano Lindsey Graham também ecoou essa ideia — referindo que, agora que Mueller está à frente das investigações, o partido da oposição deve abandonar os seus inquéritos no Congresso ao alegado conluio Trump-Rússia e concentrar-se numa nova investigação aos emails privados da sua candidata à Casa Branca.

As declarações de King ontem à noite surgiram horas depois de um membro do partido Democrata ter apresentado no Congresso o primeiro artigo legal para abrir caminho à destituição de Trump por obstrução à Justiça (no caso por ter despedido Comey depois de este se recusar a suspender os inquéritos).

Também surgiram a meio de uma semana de revelações explosivas, que levaram o filho mais velho de Trump a divulgar emails que trocou com um intermediário russo para se encontrar com uma advogada do Governo de Putin que queria passar-lhe informações incriminatórias sobre Clinton para “ajudar” o seu pai a vencer as eleições.