Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Iraque está a punir famílias com ligações ao Daesh

FADEL SENNA/GETTY

Pelo menos 170 famílias foram forçadas a ir para um “campo de reabilitação” próximo de Mossul. Pelo menos dez mulheres e crianças morreram na viagem ou já no campo, a maioria devido a desidratação, segundo dados recolhidos pelo Observatório para os Direitos Humanos

Após a reconquista da cidade de Mossul ao Daesh, as forças iraquianas estão a punir famílias com ligações ao grupo jiadista, tendo obrigado pelo menos 170 a irem para um “campo de reabilitação” que se encontrava encerrado, como forma de punição coletiva, denuncia esta quinta-feira o Observatório para os Direitos Humanos.

As famílias estão a ser levadas contra a sua vontade e pelo menos dez mulheres e crianças morreram durante a viagem, ou depois de terem chegado ao campo localizado 14 quilómetros a este de Mossul, a maioria devido a desidratação, segundo referiram à organização não governamental funcionários do campo.

“Os campos para as chamadas famílias Daesh não têm nada a ver com reabilitação e em lugar disso são de facto campos de detenção para adultos e crianças que não foram acusadas de nenhum crime”, afirmou Lama Fakih, vice-diretor do Observatório para o Médio Oriente.

“As autoridades iraquianas não deviam punir famílias inteiras por causa das ações dos seus familiares”, frisou Fakih, acrescentando que “estes atos abusivos são crimes de guerra e estão a sabotar os esforços para a promoção da reconciliação em áreas reconquistadas ao Daesh”.

A organização indica que “deslocamentos forçados e detenções arbitrárias” estão a ter lugar nas províncias de Anbar, Babil, Diyala, Salah al-Din e Nineveh afetando “centenas de famílias”.

Com a reconquista de territórios que estiveram controlados pelo Daesh, o regime iraquiano tem pela frente a tarefa de evitar ataques de retaliação, assim como ajudar a esbater as tensões sectárias, que podem inviabilizar a futura estabilização do país. Mas, em vez disso, “as forças de segurança e militares iraquianos têm feito muito pouco para travarem estes abusos e em alguns casos participaram neles”, denúncia o Observatório.