Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Incêndios em Itália obrigam ao resgate de centenas de turistas

GIOVANNI ISOLINO

Aproximadamente 700 turistas foram resgatados por barcos, na Sicília, depois dos múltiplos incêndios registados no sul da Itália. As autoridades locais acreditam na possibilidade de fogo posto

As altas temperaturas das últimas semanas e a situação de seca alimentam os focos de incêndio - vários - que deflagraram no sul da Itália. Os mais de cem fogos obrigaram vários pontos turísticos da região de Sicília, a serem evacuados. Cerca de 800 bombeiros foram destacados, enquanto as autoridades investigam as causas que provocaram as chamas, ponderando a hipótese de fogo posto.

As chamas devoram o terreno e a aproximação a diferentes estâncias balneares obrigou a que fossem tomadas medidas de emrgência. Pescadores e proprietários de barcos locais foram convocados para ajudar no resgate a centenas de turistas. Matteo Rizzo, presidente da localidade de San Vito lo Capo, publicou no Facebook um aviso sobre a situação "muito urgente" que se vive na aldeia a oeste de Palermo, pediu a cooperação dos habitantes locais e ofereceu ajuda aos evacuados deslocando-os para escolas locais. Segundo a Proteção Civil, o número de incêndios que ameaçam a ilha ascende a 125, distribuídos entre as áreas de Catânia, San Vito, e Palermo.

Até agora não há registo de feridos, mas testemunhas relatam ter escapado “do demónio vermelho”, enquanto o fogo devorava habitações e estabelecimentos. O jornal italiano La Stampa citou Stella Belliotti, uma das turistas evacuadas: "Fugimos com as roupas de praia e chinelos. O nosso apartamento foi envolvido pelas chamas. Elas estavam bem em cima de nós. Eu peguei na minha filha e fomos para a praia. Levaram-nos de barco [primeiro crianças e mulheres] ".

ELIANO IMPERATO

Em Nápoles, as consequências também são visíveis, mesmo longe. As cidades que envolvem o famoso monte Vesúvio foram atingidas pelas cinzas num raio de 40 quilómetros que circunda o vulcão. O fumo foi observado das ruínas de Pompeia e do Golfo de Nápoles. Centenas de hectares foram vitimados pelo fogo. Gian Luca Galletti, Ministro do Ambiente revela a detenção de um homem suspeito de atear a área. "Se alguém atear fogo ao Vesúvio, quero vê-lo na prisão por 15 anos", disse o ministro.

Galletti acrescentou que ainda havia decisões a ser tomadas, como o possível envio do exército para ajudar as localidades abatidas.

As autoridades dizem não ter dúvidas que muitos incêndios foram obra da Máfia. Segundo a imprensa local os supostos responsáveis banharam animais com gasolina para depois os incendiarem na densa área florestal.

Desde o passado 15 de junho, os serviços de emergência registaram mais de 390 pedidos para extinção de fogos, o maior volume da última década. Todos os anos, dezenas de milhares de hectares são destruídos por causa de "razões relacionadas com a especulação imobiliária ou o descuido humano", assegura um funcionário da Proteção Civil.

O governo italiano já declarou o estado de emergência pela seca, na semana passada, e vários políticos pedem o mesmo para os atuais incêndios florestais.