Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

“Furacão de categoria 5” vs. “Ambiente fantástico na Casa Branca”

Trump chegou esta quinta-feira a Paris para se encontrar com Emmanuel Macron

Pierre Suu

Fontes da administração Trump disseram ao “Washington Post” e à Associated Press que as mais recentes revelações sobre o alegado conluio com a Rússia mergulharam a Casa Branca no caos. À Reuters, o Presidente garante que não e recusa-se a criticar o filho por se ter encontrado com uma advogada do Governo russo há um ano — garantindo que só soube dessa reunião esta semana

Donald Trump garantiu na quarta-feira que o ambiente na Casa Branca está “fantástico”, apesar do intenso escrutínio sobre o seu círculo próximo de familiares e assessores, depois de ter sido revelado que o seu filho mais velho, Donald Trump Jr., se encontrou com uma advogada russa em 2016 para discutir informações prejudiciais sobre Hillary Clinton porque o Governo russo queria “ajudar” o empresário a vencer as eleições.

Em entrevista à Reuters, Trump disse que o Governo está a “funcionar em beleza” e defendeu o seu filho, que na terça-feira decidiu adiantar-se ao “New York Times” e publicar ele a correspondência trocada com um intermediário russo para organizar o encontro com Natalia Veselnitskaya (que teve lugar a 9 de junho do ano passado, na Torre Trump).

A versão não corresponde ao que fontes da Casa Branca avançaram nos últimos dias ao “Washington Post”, sobre as mais recentes revelações do alegado conluio terem mergulhado a administração no caos, com um aliado de Trump a citar essas revelações como um “furacão de categoria 5” que virou o Governo do avesso. Essas ou outras fontes também disseram à Associated Press que Trump está “irado” — com os media e não com o seu filho — por estarem concentrados nos controversos emails.

Numa entrevista à Fox News na terça-feira à noite, Trump Jr. confirmou que se encontrou com Veselnitskaya mas garantiu que o encontro “não deu em nada”, que foram “20 minutos perdidos”. Analistas dizem que o conteúdo dos emails e o facto de o filho do Presidente ter aceitado encontrar-se com a advogada russa o tornam imputável por violar uma série de leis federais.

As secretas norte-americanas acreditam, desde meados de 2016, que foi o Governo russo que orquestrou a campanha de ciberataques contra os sistemas informáticos do Partido Democrata para ajudar Trump a ganhar — com novos pormenores revelados desde a tomada de posse do empresário a alimentarem as suspeitas de conluio do seu círculo próximo com pessoas ligadas ao Governo de Vladimir Putin.

Ontem, foi também revelado que, em 2015, os serviços de informação dos EUA já tinham intercetado comunicações russas em que responsáveis da federação eram ouvidos a discutir potenciais encontros com pessoas ligadas a Trump, meses antes de o empresário formalizar a sua candidatura à Casa Branca. Tanto Trump como Putin continuam a rejeitar as alegações.

Depois do G20, Trump vai a Paris

Os últimos comentários do Presidente norte-americano sobre o ambiente na Casa Branca foram tecidos antes de partir para uma visita oficial de dois dias a França — onde vai encontrar-se com o homólogo, Emmanuel Macron, na véspera das comemorações do Dia da Bastilha, sexta-feira, que este ano coincidem com o centenário da entrada das tropas dos EUA na I Guerra Mundial.

A correspondente da BBC em Paris, Lucy Williamson, refere que apesar das tensões iniciais entre os dois governos por causa das alterações climáticas e das trocas comerciais, Macron tem estado a fazer um esforço para conquistar Trump na tentativa de aumentar o poder de influência de França nos palcos globais.

Antes de partir de Washington para a capital francesa na quarta-feira, Trump tentou eliminar a ideia de que a sua administração está em crise por causa das recentes revelações, dizendo à Reuters que as acusações de conluio com os russos são “um embuste inventado pelos democratas”.

Na semana passada, antes de partir para a cimeira do G20 em Hamburgo, o Presidente dos EUA voltou a rejeitar as informações dos serviços secretos do seu país, dizendo que “podem bem ter sido outros países” a interferir nas eleições que lhe deram a vitória. À Reuters, também repetiu ontem que não sabia do encontro do seu filho com Veselnitskaya até há poucos dias. Alguns media apuraram que o seu primeiro tweet sobre os emails de Clinton que seriam depois obtidos por hackers russos e divulgados pela WikiLeaks foi publicado precisamente no dia em que o seu filho se encontrou com a advogada russa.

Defendendo a decisão de Trump Jr. em reunir-se com ela, Trump acrescentou na entrevista à Reuters: “Muita gente, muitos especialistas em política, dizem que toda a gente faria isso”. A corrida à Casa Branca, acrescentou, foi “um tempo louco” em que “nos encontrámos com muita gente”. Também recusou dizer que lamenta a decisão do filho em encontrar-se com Veselnitskaya: “A maioria dos políticos impostores, que são democratas e que eu estive a observar nos últimos anos, teriam aceitado ter esse encontro num piscar de olhos”.

Numa outra entrevista, à Christian Broadcasting Network, Trump disse que se dá “muito bem” com o Presidente russo. As suas declarações e a revelação dos emails de Trump Jr. surgem uma semana depois do seu antecipado encontro com Putin à margem da cimeira do G20, após o qual o líder norte-americano disse que aceitou as garantias do homólogo russo sobre não-ingerência nas eleições dos EUA. Logo a seguir, o chefe de gabinete da Casa Branca, Reince Priebus, diria publicamente que o Presidente “não aceitou” a versão de Putin.