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Internacional

UE quer que Reino Unido dê provas de confiança nos direitos dos cidadãos e no pagamento das contas

"A confiança passa por dar segurança aos quatro milhões e meio de cidadãos britânicos e europeus mas também por saldar as contas", disse esta quarta-feira o negociador europeu Michel Barnier

Dan Kitwood/GETTY

A União Europeia desafiou hoje o Reino Unido a esclarecer melhor as posições sobre o Brexit, antes da ronda de negociações da próxima semana

Susana Frexes

Correspondente em Bruxelas

O negociador europeu garante que não haverá conversas sobre a relação futura com o Reino Unido - uma ambição de Theresa May - sem que primeiro o governo britânico se comprometa "a saldar as contas do passado". Para Michel Barnier "é uma questão de confiança" que o Reino Unido reconheça que tem obrigações financeiras para com a EU.

"A confiança passa por dar segurança aos quatro milhões e meio de cidadãos britânicos e europeus mas também por saldar as contas", disse esta quarta-feira, numa conferência de imprensa em Bruxelas, referindo-se ao acordo sobre as questões financeiras. O assunto está entre as prioridades da primeira fase das negociações.

Barnier fala numa questão "da maior importância" porque estão em causa compromissos financeiros assumidos a 28 - incluindo durante o quadro financeiro atual - e que se prolongam para além da saída do Reino Unido em 2019. O francês fala em "milhares de programas" e fundos estruturais que podem ser afetados se o Reino Unido se recusar a pagar a parte com a qual se comprometeu.

Diz que o assunto "não é fácil e é caro", mas justifica que não se trata de "punição" ou de "vingança", numa resposta às vozes britânicas que têm criticado a existência e os montantes a pagar. "Não vamos pedir ao Reino Unido um euro ou uma libra a mais ou a menos do que aquilo que foi o compromisso assumido", adianta.

Na próxima semana, o Reino Unido e UE voltam a sentar-se à mesa para uma segunda ronda de negociações. Para Michel Barnier, que representa os 27, há ainda muitas divergências nas quais é preciso trabalhar. O francês desafia os britânicos a esclarecerem melhor e a avançarem com mais detalhes sobre os diferentes dossiers.

É o caso dos direitos dos cidadãos afetados pelo Brexit. Neste ponto considerado também prioritário, o negociador europeu fala em "numerosas diferenças de ambição".

"Nós queremos que os cidadãos europeus no Reino Unido tenham os mesmos direitos que os cidadãos britânicos que vivam em Espanha, ou em outro qualquer país da Europa. A posição britânica atual não permite este reciprocidade e submete os cidadãos da UE ao direito britânico que impõe restrições, por exemplo sobre o reagrupamento familiar", explicou Barnier.

Do lado europeu, os 27 querem ainda que se possa continuar a recorrer ao Tribunal de Justiça da UE, para resolver casos relacionados com direitos de cidadãos europeus que estão no Reino Unido. Já a posição britânica tem rejeitado essa possibilidade, defendendo que só o direito britânico deve ser aplicado no futuro.

Apesar das divergências, Michel Barnier diz ter a expectativa de que seja possível "fazer um bom progresso na próxima semana e depois em agosto", porque, argumenta, "o relógio continua a contar" e já há cada vez menos tempo para se concluírem as negociações.