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Internacional

Trump alvo de um processo judicial por bloquear seguidores no Twitter

O Daily Show organizou a exposição "Livraria Presidencial no Twitter" perto da Torre Trump

Drew Angerer

Empresário tornado Presidente dos EUA já enfrentou mais de quatro mil processos judiciais nos últimos 30 anos. O último foi lançado esta semana por sete cidadãos americanos que o líder bloqueou na sua rede social de eleição

Duas semanas antes de Donald Trump espantar a maioria ao derrotar Hillary Clinton nas urnas, o USA Today apurou que, nos últimos 30 anos, o empresário tornado Presidente dos EUA já se viu a braços com mais de 4000 processos judiciais, sobretudo por causa de negócios falhados no ramo imobiliário. E agora, ao final de meio ano no poder, enfrenta mais um processo em tribunal, interposto por sete pessoas que decidiu bloquear no Twitter.

Ávido utilizador da rede social — que continua a ser a sua plataforma de eleição para discutir estratégias como a política nuclear dos EUA, para elogiar aliados e denegrir críticos — Trump é alvo de um processo aberto nos tribunais pelo Knight First Amendment Institute, um grupo de defesa da liberdade de expressão sediado na Universidade de Columbia, em Nova Iorque.

O Instituto representa sete utilizadores de Twitter que acusam o Presidente ou os seus assessores de lhes bloquearem o acesso à conta oficial de Trump, como retaliação por terem criticado ou gozado com tweets do líder norte-americano. Na queixa judicial é argumentado que, ao impedir estes cidadãos de lerem ou responderem aos seus tweets, Trump está a "suprimir a dissidência" e a violar o seu direito à liberdade de expressão consagrado na 1.ª emenda da Constituição.

Para além de Donald Trump, o processo judicial tem também como alvos Sean Spicer, chefe da equipa de assessoria da Casa Branca, e Daniel Scavino, diretor de redes sociais da presidência. A jogar contra eles está o facto de, há um mês, Spicer ter declarado que os tweets de Trump são considerados "comunicados oficiais do Presidente dos Estados Unidos".

Neste momento, a sua conta de Twitter @realDonaldTrump tem 33,7 milhões de seguidores, contra apenas 19,3 milhões de utilizadores que seguem a conta oficial do Presidente dos EUA, @POTUS (sigla de 'President Of The United States'), usada pelo seu antecessor, Barack Obama, para interagir com os internautas.

Jameel Jaffer, diretor-executivo do Knight First Amendment Institute, refere que a paixão de Trump pelo Twitter fez com que a rede social se tornasse "uma importante fonte de notícias e de informações sobre o governo", o que reforça as queixas dos utilizadores. "A 1.ª Emenda aplica-se a este fórum digital da mesma forma que se aplica nos conselhos municipais e em reuniões abertas dos conselhos escolares", argumenta Jaffer. "A Casa Branca está a agir ilegalmente quando exclui pessoas deste fórum simplesmente porque elas discordam do Presidente."

De acordo com o Instituto na sua queixa legal, o bloqueio destas sete pessoas deve preocupar toda a gente, porque o resultado é que todos os que conseguem ler os tweets de Donald Trump passam a ter acesso a uma versão manipulada da realidade onde não há espaço para dissidência nem críticas.

(Na imagem, um dos tweets do Presidente que mais conversa gerou nos últimos tempos, emoldurado e exposto numa galeria a pouca distância da Torre Trump, em Nova Iorque, entre 16 e 18 de junho. A exposição pop-up, intitulada "Livraria Presidencial no Twitter", foi organizada pelo programa televisivo Daily Show.)