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Internacional

Senador democrata diz que a investigação à interferência russa nas eleições pode chegar a traição

Alex Wong

“A investigação ainda não provou nada, mas agora estamos além da obstrução à Justiça, em termos do que se está a investigar”, declarou o senador democrata Tim Kaine

O senador democrata Tim Kaine disse esta terça-feira que a investigação à eventual interferência russa nas eleições presidenciais de 2016 está a "ir além" de possível obstrução à Justiça e pode chegar a algo que "potencialmente é traição".

Kaine, que integrou, como candidato à vice-presidência, a candidatura de Hillary Clinton à Presidência dos EUA em 2016, comentou assim as recentes revelações sobre a intenção do filho mais velho do Presidente Donald Trump - Donald Trump Jr. -, de obter informação prejudicial para Clinton através de uma advogada do governo russo.

"A investigação ainda não provou nada, mas agora estamos além da obstrução à Justiça, em termos do que se está a investigar", afirmou Kaine à comunicação social.

"Isto está a converter-se em perjúrio, declarações falsas e inclusive potencialmente traição", acrescentou.

Por seu lado, o senador republicano e também ex-candidato presidencial John McCain considerou que já são demasiadas as informações e os indícios relacionados com a ingerência russa nas eleições presidenciais, insistindo que este último episódio também deve ser investigado.

O seu correligionário, Lyndsay Graham, qualificou as mensagens de Trump Jr. como "alarmantes".

Este novo desenvolvimento prejudica os esforços dos republicanos para avançar com a agenda política do multimilionário no Congresso, a começar desde logo pela revogação e substituição da lei de cobertura de saúde, o designado ObamaCare.

Trump Jr. divulgou a série de e-mails para combinar o encontro em que lhe foram prometidas informações prejudiciais a Hillary Clinton, nos quais escreve: "Se é isso que diz, adoro".

O filho mais velho de Trump divulgou hoje na rede social Twitter as mensagens de correio eletrónico que trocou com Rob Goldstone, promotor musical, para combinar um encontro com a advogada russa Natalia Veselnitskaya, em junho de 2016, durante a campanha presidencial.

Os e-mails mostram que foi dito a Donald Trump Jr. que o governo russo tinha informações que podiam "incriminar" a candidata do Partido Democrata, relativamente aos seus contactos com a Rússia.

Nos e-mails, transcritos pelo jornal "New York Times", Goldstone diz a Trump Jr. que "o procurador da Rússia" se ofereceu para "fornecer à campanha de Trump documentos oficiais e informações que incriminam Hillary [Clinton] e as suas relações com a Rússia e que seriam muito úteis ao seu pai".

Goldstone acrescenta: "Esta é obviamente informação de muito alto nível e sensível, mas é parte do apoio da Rússia e do seu governo ao senhor Trump".

"Se é isso que diz, adoro", respondeu Trump Jr.