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Internacional

Israel acusa George Soros de “minar governos democraticamente eleitos”

"Não deixe que George Soros seja o último a rir" lê-se nos cartazes de propaganda governamental afixados no metro de Budapeste

LASZLO BALOGH/REUTERS

George Soros é o inimigo público número 1 para Budapeste e Telavive. A uma semana da visita à Hungria do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, Israel acusa o milionário de “minar governos democraticamente eleitos”

George Soros, o milionário americano de origem húngara-judaica está sob o fogo da crítica de Israel. O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel acusou o multimilionário de “minar governos democraticamente eleitos”. A crítica surge uma semana antes da visita oficial do primeiro-ministro Benjamin “Bibi” Netanyahu a Budapeste.

Soros, um judeu húngaro que financia uma rede de ONGs internacionais, apoiando grupos pró-democracia e de defesa dos direitos humanos, tem sido repetidamente um alvo do governo de direita da Hungria, sendo muito criticado também pela sua defesa de uma imigração mais aberta.

Num das ocasiões mais recentes, o primeiro-ministro húngaro Viktor Orban apoiou uma campanha na qual Soros é apontado como inimigo do estado. “Não vamos permitir que Soros seja o último a rir”, podia ler-se nos cartazes impressos com uma fotografia do investidor, de 86 anos.

A campanha foi criticada por grupos judeus, e não só, por alegadamente fomentar o antisemitismo, mas Soros não fez qualquer comentário.

O próprio embaixador de Israel na Hungria emitiu uma declaração denunciando a campanha, considerando que a mesma “evoca memórias tristes, mas também semeia o ódio e o medo”, uma aparente referência à colaboração da Hungria na deportação de 500 mil judeus durante o Holocausto.

Mas horas depois, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel emitiu um “esclarecimento”, para sublinhar que Soros era um alvo legítimo.

“As declarações do embaixador não pretendiam retirar a legitimidade das críticas a George Soros, que de forma sistemática mina os governos israelitas democraticamente eleitos, financiando organizações que difamam o estado de Israel e que negam o seu direito de autodefesa”, clarificou o ministério, afirmando que em causa estava apenas a condenação de manifestações antissemitas.