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Internacional

Conquista de Mossul não é o fim do Daesh

AHMAD AL-RUBAYE

Os jiadistas podem ter perdido militarmente a cidade, mas este não é o seu fim no Iraque, nem o fim da sua ideologia, avisam os militares da força de intervenção conjunta

O comandante supremo do exército dos Estados Unidos no Iraque diz que a guerra contra o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) não terminou, apesar da vitória “histórica” em Mossul.

O general Gen Stephen Townsend afirmou à BBC que ainda se encontram combatentes do Daesh no Iraque. Disse ainda que o Governo iraquiano deve tentar chegar à minoria muçulmana sunita do Iraque (xiita) para impedir que o Daesh se renove. “Se quisermos evitar que renasça um Estado Islâmico 2.0, o governo iraquiano terá de fazer algo bastante diferente”, continuou. “Terão que aproximar-se e reconciliar-se com a população sunita, e fazê-los sentir que o seu governo em Bagdade os representa”.

O primeiro-ministro do Iraque, Haider al-Abadi, declarou formalmente a vitória sobre o Daesh em Mossul, após uma batalha de quase nove meses que deixou grandes áreas em ruínas, matou milhares de civis e obrigou à fuga da cidade de mais de 920 mil pessoas. “Anuncio daqui o fim, o fracasso e o colapso do estado terrorista de falsidade e terrorismo, que o Daesh anunciou de Mossul”, afirmou Abadi.

Num relatório divulgado esta terça-feira, a Amnistia Internacional disse que as forças iraquianas e da coligação usaram "armas desnecessariamente poderosas" em áreas densamente povoadas. Os combatentes do Estado Islâmico também foram acusados pela Amnistia de cometer abusos sérios.

“É um alívio saber que a campanha militar em Mosul está a terminar”, disse Lise Grande, a coordenadora Humanitária das Nações Unidas no Iraque. “A luta pode acabar, mas a crise humanitária não. Muitas das pessoas que fugiram perderam tudo. Precisam de abrigo, alimentos, cuidados de saúde, água, saneamento e kits de emergência. Os níveis de trauma que estamos a ver são alguns dos mais altos em qualquer lugar. O que as pessoas experimentaram é quase inimaginável”.

A coligação liderada pelos Estados Unidos confirmou que, embora áreas da Cidade Velha ainda tivessem que ser limpas de explosivos e de possíveis combatentes do Daesh escondidos, as forças de segurança iraquianas tinham Mosul “firmemente sob o seu controlo”. Jonathan Beale da BBC, em Mosul, diz que os jiadistas podem ter perdido militarmente a cidade, mas este não é o seu fim no Iraque, nem o fim da sua ideologia..

Os militantes do Daesh invadiram Mossul em junho de 2014, antes de assumir o controlo de grandes zonas do norte e oeste do Iraque. No mês seguinte, Abu Bakr al-Baghdadi fez a sua primeira e única aparição pública como líder do Daesh na Grande Mesquita da cidade de al-Nuri, e fez um discurso a proclamar a criação de um “califado”. O grupo terrorista ainda controla o território em três áreas do Iraque – em torno de Hawija, a 130 km a sul de Mossul, em torno de Tal Afar, a 65 km a oeste, e de Ana a Al-Qaim, no vale do rio Eufrates, a 250 km a sudoeste.