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Internacional

Colômbia garante amnistia aos derradeiros membros das FARC

Os rebeldes das FARC serão agora reintegrados na sociedade colombiana e o grupo vai passar a ser um partido político

RAUL ARBOLEDA

Presidente Juan Manuel Santos assinou esta terça-feira o terceiro e último decreto para enterrar o conflito de meio século

O Presidente colombiano assinou esta terça-feira um decreto para dar amnistia aos últimos 3600 membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), naquele que é o terceiro e último decreto promulgado por Juan Manuel Santos para enterrar o conflito de meio século entre a guerrilha marxista e as forças do governo.

Ao todo, mais de sete mil ex-guerrilheiros obtiveram amnistia do governo ou foram libertados da prisão sob o acordo de paz alcançado no final do ano passado com mediação cubana após quatro anos de negociações, um que prevê a reintegração dos ex-rebeldes na sociedade colombiana.

As FARC completaram o seu processo de desarmamento no mês passado, supervisionados pela missão das Nações Unidas na Colômbia, entregando aos responsáveis da organização as sete mil armas registadas que ainda tinham em sua posse.

Na segunda-feira, o Conselho de Segurança da ONU tinha aprovado o envio de uma nova missão à Colômbia, que a partir de setembro estará no país para monitorizar a fase final da implementação do acordo de paz.

As negociações que abriram caminho à paz começaram em 2012 e terminaram em 2016 com um acordo que acabaria por ser rejeitado por uma maioria dos colombianos em referendo. Esse acordo seria depois revisto e aprovado pelo Congresso em novembro, antes de o Presidente promulgar as medidas, sob as quais as FARC aceitam abandonar a luta armada e tornar-se um partido político.

Através dos três decretos assinados pelo Presidente colombiano, 6005 ex-rebeldes que não cometeram crimes graves obtiveram amnistia, com outros 1400 a serem libertados da prisão nos últimos meses. Santos foi laureado com o Nobel da Paz em 2016 pelos seus esforços para enterrar o sangrento conflito que, em 50 anos, provocou mais de 260 mil mortos e milhões de deslocados internos.

Depois do sucesso das negociações de paz com as FARC, o governo colombiano deu início a negociações formais com o segundo maior grupo rebelde do país, o Exército de Libertação Nacional (ELN), que estão atualmente a decorrer no Equador.