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Internacional

Trump recua e afasta proposta russa de parceria em unidade de cibersegurança

CARLOS BARRIA

A criação de uma unidade conjunta de segurança informática foi proposta poelo Presidente russo Vladimir Putin a Donald Trump na semana passada, em Hamburgo. Após as duras críticas lançadas pelos republicanos, o Presidente dos Estados Unidos afastou a ideia

O Presidente norte-americano afastou a ideia de criar uma unidade conjunta de cibersegurança com a Rússia. Horas depois de a proposta apresentada pelo líder russo em Hamburgo ter sido duramente criticada por vários republicanos, que consideram que Moscovo não é de confiança, Trump recorreu à sua conta no Twitter para afirmar que o facto de o assunto ter sido falado “não significa que vá acontecer”.

De acordo com Trump, na conversa mantida com Vladimir Putin na sexta-feira, no decorrer da cimeira do G20, o Presidente russo abordou a possibilidade de ser criada uma “unidade de cibersegurança impenetrável”, para combater problemas como o risco de interferência informática durante os períodos eleitorais.

A ideia não cativou os restantes membros do partido de Trump, que questionarem o porquê de os Estados Unidos trabalharem com a Rússia, sobretudo depois da suposta intervenção de Moscovo nas eleições presidenciais de 2016.

"Não é a ideia mais absurda que já ouvi, mas está muito perto", afirmou Lindsey Graham, Senadora da Carolina do Sul, à NBC.

O antigo secretário norte-americano da Defesa, Ash Carter, disse à CNN: "isto é como o ladrão que rouba a nossa casa propor um grupo de trabalho sobre roubo".

Os conselheiros de Trump, incluindo o Secretário de Estado Rex Tillerson e o Secretário do Tesouro dos Estados Unidos Steve Mnuchin, tentaram explicar recentemente o porquê do impulso do Presidente norte-americano.

Mnuchin confirmou no sábado que Trump e Putin concordaram em criar "uma unidade informática para se certificarem que não há absolutamente nenhuma interferência", nas várias plataformas governamentais. Mas Trump minimizou a ideia no domingo, via Twitter, acrescentando, no mesmo tweet, que um "cessar-fogo" com a Rússia é possível.

John McCain, Senador Republicano do Arizona reconheceu o desejo de Trump em avançar com a Rússia mas afirmou ser necessário "pagar um preço".

"Vladimir Putin literalmente escapou das consequências de tentar mudar o resultado das nossas eleições", diz McCain à CBS.

Desde o início de campanha que Donald Trump tenta uma aproximação com a Rússia, até agora uma tarefa difícil para a sua administração, devido às investigações das alegadas interferências russas na sua campanha.

O ex-diretor do FBI, Robert Mueller, investiga o caso e procura apurar se os administradores da campanha do atual Presidente dos Estados Unidos mantiveram, de facto, contactos com o Kremlin.

Funcionários e legisladores dos Serviços de Informação americanos dizem que as investigações estão focadas puramente nas ações russas, e nenhuma evidência surgiu publicamente que indique a intervenção de outros países, apesar das suspeitas lançadas por Trump.

Moscovo negou qualquer envolvimento e o Presidente americano diz não ter colaborado com a Rússia.

Separadamente, de acordo com o Washington Post, oficiais do Governo norte-americano acusam Putin de hackear os sistemas de energia nuclear dos EUA.

  • G20: Putin nega acusações de interferência após ter sido “pressionado” por Trump

    Durante o encontro entre os dois líderes, à margem da cimeira do G20, terão sido abordados temas como a situação na Ucrânia e a luta contra o terrorismo e a cibersegurança. Terá sido ainda acordado um cessar-fogo no sudoeste da Síria, que deverá entrar em vigor no próximo domingo. Numa fase inicial, a Rússia, em coordenação com os EUA e a Jordânia, ficará responsável por garantir a segurança das regiões abrangidas pelo acordo