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Republicanos preparam-se para enfrentar a “morte” do seu programa de saúde no Senado

LUKAS COCH/ Getty Images

Senador John McCain diz que projeto-lei que tem dividido o partido no poder vai “provavelmente morrer”na câmara alta do Congresso antes das férias de verão

Pelo menos três senadores do Partido Republicano avançaram este fim-de-semana que o projeto-lei apresentado pela administração Trump para "revogar e substituir o Obamacare" está "morto".

Em entrevista ao programa "Face The Nation" da CBS, John McCain disse ontem que, a seu ver, a proposta divisiva "vai provavelmente morrer" antes de os senadores entarem de férias de verão no final desta semana. A par dele, os senadores Bill Cassidy e Charles E. Grassley também manifestaram o seu pessimismo quanto às possibilidades de o partido maioritário conseguir votos suficientes para avançar com o novo programa de saúde.

"Não sabemos qual é o plano", disse Cassidy em entrevista à Fox News no domingo. "O rascunho do projeto-lei está claramente morto. E o plano final a sério, estará morto? Não sei."

No sábado à noite, Grassley tinha sublinhado no Twitter que os republicanos vão perder a maioria na câmara alta se não conseguirem aprovar a proposta. "52 senadores republicanos deviam ter vergonha por ainda não termos aprovado a reforma de saúde até agora. Não vamos ter vergonha por passarmos da maioria para a minoria."

No dia seguinte, McCain disse na CBS que o erro do Governo e de muitos republicanos foi não envolver o partido da oposição nas negociações. Incluir os senadores democratas, referiu, não significaria "que eles teriam controlo" sobre o projeto-lei. "Significa que poderiam ver emendas serem consideradas. E mesmo que eles perdessem, teriam feito parte do processo. É isso que é suposto ser uma democracia."

No mês passado, o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, tinha apresentado a proposta de lei preparada à porta fechada por um conjunto de senadores republicanos mas decidiu não avançar com a votação prevista porque sabia que ia ser chumbada — dada a oposição de alguns membros do partido, que não aceita as leis nos moldes em que foram apresentadas. A votação foi adiada para depois do feriado de 4 de julho, Dia da Independência, e deverá ter lugar esta semana, com o chumbo novamente no horizonte.

McConnell e a administração Trump precisam que pelo menos 50 senadores votem a favor da proposta, o que significa que bastam dois alinharem-se com os democratas no voto contra para que o projeto-lei não avance. A oposição já excluiu a possibilidade de negociar uma proposta com os republicanos a menos que essa negociação passe por melhorar a lei em vigor e não revogá-la.

Ansiosa por uma vitória legislativa na Saúde, depois de Donald Trump ter feito campanha com a promessa de eliminar o programa de saúde implementado por Barack Obama, a Casa Branca insistiu ontem que o projeto-lei será aprovado nas próximas semanas.

Em entrevista à Fox News, o chefe de gabinete de Trump, Reince Priebus, declarou: "Seja antes das férias de agosto seja durante as férias de agosto, o Presidente espera que o Senado cumpra a promessa que fez ao povo americano."