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Diretor de ética demissionário denuncia “ameaça explícita” da administração Trump

Shaub diz que Reince Priebus (na foto) lhe dez uma "ameaça bastante explícita" para calar as críticas a Trump

Alex Wong

Walter Shaub disse no domingo que o chefe de gabinete da Casa Branca, Reince Priebus, o ameaçou diretamente para calar as suas críticas aos conflitos de interesse do Presidente

O homem que, até domingo, dirigia o Gabinete de Ética Governamental dos EUA denunciou que a Casa Branca de Donald Trump o ameaçou de forma "explícita" na tentativa de calar as suas críticas aos alegados conflitos de interesse do Presidente norte-americano por não se afastar totalmente dos seus negócios privados antes de tomar posse em janeiro.

Em entrevista ao programa "This Week" da ABC no domingo, depois de na semana passada ter anunciado que ia abandonar o cargo nesse dia, Walter Shaub revelou que Reince Priebus, chefe de gabinete da Casa Branca, lhe fez uma "ameaça bastante explícita" após Shaub ter criticado publicamente Trump por este ter anunciado que ia pôr os seus filhos ao leme da Organização Trump em vez de vender os seus bens ou de os colocar num fundo fiduciário cego — à semelhança do que fizeram todos os Presidentes dos EUA nos últimos 40 anos, para não serem acusados de estarem a lucrar com o cargo público máximo.

"Houve pressões da Casa Branca a contribuirem para a sua decisão de resignar ao cargo?", questionou o apresentador do programa George Stephanopoulos. "Penso que a ameaça bastante explícita de Reince Priebus foi emblemática de como têm sido as interações com a Casa Branca desde o inicío desta administração", respondeu Shaub.

"Sempre achei que as regras de ética eram suficientemente fortes para proteger a integridade das operações governamentais", acrescentou. "[Mas] as minhas experiências recentes convenceram-me de que [essas regras] têm de ser reforçadas. E francamente, convenceram-me de que eu já tinha alcançado tudo o que poderia neste cargo."

Na semana passada, quando anunciou que ia abandonar a direção do Gabinete de Ética Governamental (GEG) a 9 de julho, Shaub tinha-se recusado a confirmar ao "Washington Post" eventuais pressões da administração Trump que pudessem ter contribuído para a sua decisão. A denúncia surgiu no dia em que abandonou efetivamente o posto, seis meses antes de concluir o seu mandato.