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Áustria barra entrada de ministro turco

Lukas Schulze/GETTY

O Governo austríaco disse que o ministro Turco da Economia pretendia entrar no país para participar numa manifestação de celebração do primeiro aniversário do falhanço da tentativa de golpe de Estado contra o regime de Erdogan

“Posso confirmar que o ministro [austríaco] dos Negócios Estrangeiros, [Sebastian] Kurtz, proibiu o ministro da Economia turco de entrar no país”, confirmou esta segunda-feira um porta-voz do Governo de Viena, citado pela agência Reuters.

O Governo austríaco justifica a medida referindo que o ministro turco Nihat Zeybekci tencionava entrar no país para participar num “grande” evento, de celebração do primeiro aniversário do falhanço da tentativa de golpe de Estado contra o regime de Erdogan, que representava um “perigo para a ordem pública e para a segurança na Áustria”.

“Foi barrado porque a sua visita não foi planeada no âmbito de uma troca bilateral, antes dizendo respeito a uma aparição pública num evento assinalando a tentativa de golpe de Estado”, referiu ainda o porta-voz, neste caso em declarações citadas pela agência France Presse, sem indicar para quando estava prevista a manifestação.

A decisão surge depois de, na sexta-feira, também a Holanda ter indicado que o vice-primeiro-ministro turco, Tugrul Turkes, não era bem-vindo para participar numa cerimónia de emigrantes turcos para comemorar o aniversário.

Queixas de Erdogan

Na semana passada o Presidente Recep Tayyip Erdogan queixou-se de não ter podido falar aos turcos durante a sua presença na Alemanha, por ocasião da cimeira dos G20, acusando o país de estar a “suicidar-se”.

Na sequência do golpe de Estado falhado, o regime de Erdogan já deteve mais de 50 mil pessoas e suspendeu cerca de 150 mil, entre militares, professores e funcionários públicos e outros, acusadas de ligações ao clérigo exilado Fetullah Gülen, que o regime de Ancara diz ter sido o mentor da sublevação.

Ministros turcos já haviam sido em março impedidos de participar em diversos países europeus em manifestações de campanha para o referendo que teve lugar a 16 de abril, que garantiu a obtenção de mais poderes a Erdogan.

A Áustria tem sido um dos países mais empenhados na denuncia da perseguição que o Presidente turco tem movido aos seus opositores após a tentativa de golpe de Estado. No país vivem cerca de 360 mil turcos ou turco-descendentes, 117 mil dos quais mantêm a cidadania turca.