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Internacional

Dois médicos estrangeiros dizem que dissidente chinês com cancro terminal pode viajar

Liu Xiaobo, condenado a onze anos de cadeia, quer receber tratamento num país livre antes de morrer

Luís M. Faria

Jornalista

Os dois médicos estrangeiros que o governo chinês autorizou a visitarem Liu Xiaobo, o dissidente chinês preso há quase dez anos e a quem recentemente foi diagnosticado um cancro terminal, dizem que ele está em condições de viajar. Essa opinião contradiz diretamente a das autoridades chinesas, cuja posição oficial é que qualquer deslocação longa de Liu envolve um risco elevado de morte.

Liu, um crítico e professor de literatura que ensinava em universidades europeias e americanas quando voltou à China para participar nos protestos de Tiananmen em 1989, foi preso várias vezes. A última ocorreu em 2008, quando ele e outras trezentas personalidades assinaram a chamada Carta 08 (inspirada na famosa Carta 77 checoslocava) que pedia a democracia e o respeito pelos direitos humanos no seu país.

Esse ato de coragem valeu-lhe ser condenado a 11 anos de cadeia por tentativa de "subversão" do Estado. Logo em 2010, foi-lhe atribuído o Prémio Nobel da Paz, com grande irritação das autoridades chinesas. Pequim não autorizou Liu ou nenhum representante dele a ir a Oslo receber o prémio, que foi entregue com uma cadeira vazia a representar o agraciado no palco.

Desde essa altura, repetiram-se os apelos internacionais à libertação de Liu, com a China a rejeitá-los todos e a acusar países estrangeiros de quererem interferir nos seus "assuntos internos". Até maio passado, quando se descobriu que Liu sofria de cancro avançado no fígado. O cancro foi descrito pela família de Liu como nem operåvel nem tratável por outras formas. O mais que se pode administrar são cuidados paliativos.

É justamente isso que Liu e a sua mulher (ela própria há anos em prisão domiciliária, sem qualquer acusação formulada) pedem, apoiados pelo especialista americano e o alemão que agora o visitaram. Outros países, incluindo os EUA, juntaram-se ao pedido. A fim de que Liu, como explicou uma diplomata americana, possa pelo menos morrer num país livre.