Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Capital da Eritreia declarada Património Mundial pela Unesco

A decisão tem a ver com as centenas de edifícios modernistas que sobrevivem na cidade, a maior deles contruídos por italiano no tempo de Mussolini

A capital da Eritreia, Asmara, foi declarada herança cultural da humanidade pela Unesco. Tomada por unanimidade este sábado na reunião do comité do património mundial em Cracóvia, a decisão tem como fundamento os 400 exemplos de arquitetura modernista que sobrevivem na cidade.

A maioria dos edifícios são o resultado da invasão da Etiópia da pela Itália quando o ditador fascista Benito Mussolini se encontrava no poder. Entre 1936 e 1941, a cidade esteve ocupada, e arquitetos que não conseguiam construir noutros locais viram a sua oportunidade. Obras notáveis incluem uma estação de serviço em forma de avião, uma pista de bowling Art Deco e numerosos cinemas e teatros.

A cidade chegou a ter a alcunha de ‘pequena Roma’. Hoje muitos dos edifícios necessitam de obras, e o governo não tem meios para as fazer. A classificação agora atribuída deve ajudar. Hanna Simon, representante do país na Unesco, considerou que era “uma vitória justa não apenas para o povo eritreu mas para África e o mundo em geral”.

Simon disse que Asmara faz parte da identidade eritreia, “apesar da marca colonial” – os construtores foram eritreus, notou – e que tem sido importante na luta pela autodeterminação e no orgulho do povo eritreu.

A Eritreia é um estado autoritário de partido único, com o mesmo presidente, Isaias Afwerki, desde há duas décadas e meia. O país tornou-se independente da Etiópia em 1993, mas conflitos fronteiriços subsequentes mantiveram a situação instável. Nos índices de desenvolvimento internacionais, o país ocupa a posição 177, uma das mais baixas.