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Internacional

Ambiente “calmo” no primeiro dia de cessar-fogo no sudoeste da Síria

Combatente do Exército Livre da Síria percorre uma área destruída na cidade de Daraa, na província com o mesmo nome.

ALAA AL-FAQIR/REUTERS

Acordo de cessar-fogo entrou em vigor este domingo em províncias do sudoeste da Síria. Para já não houve “combates significativos”, diz fonte oficial dos rebeldes

Helena Bento

Jornalista

O acordo de cessar-fogo a que os EUA e a Rússia chegaram e que abrange três províncias do sudoeste da Síria entrou este domingo em vigor.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, organização com sede em Londres que monitoriza o conflito na Síria, descreveu um ambiente “calmo” nas províncias de Daraa (próxima da fronteira com a Jordânia), Quneitra e Suwayda, abrangidos pelo acordo a que o Presidente norte-americano, Donald Trump, e Vladimir Putin, Presidente russo, chegaram durante um encontro à margem da cimeira do G20,em Hamburgo (Alemanha), que terminou no sábado.

Fonte oficial das forças rebeldes também afirmou à Reuters que não foram registados “combates significativos” desde o início da trégua, que entrou em vigor este domingo, às 00h00 locais (10h00 em Lisboa). Sabe-se que as forças governamentais já terão anunciado a suspensão das operações de combates nas províncias em causa.

No artigo que dedica ao assunto no seu site, a Al-Jazeera chama a atenção “para os acordos semelhantes que foram assinados no passado com o objetivo de restabelecer a paz” num país no qual se trava uma intensa luta civil há mais de cinco anos. “Nenhum desses acordos conseguiu travar os combates durante muito tempo”, refere a publicação.

Os EUA parecem, no entanto, estar mais confiantes desta vez. Num comunicado emitido no sábado, Herbert Raymond McMaster, conselheiro para a Segurança Nacional, destacou “o progresso alcançado com este novo acordo”. “Os EUA continuam empenhados em derrotar o ISIS [acrónimo árabe do autoproclamado Estado Islâmico], em ajudar a pôr fim ao conflito na Síria, em reduzir o sofrimento e em facilitar o regresso das pessoas às suas casas”. Este acordo, continua o responsável, “é um passo importante para atingir estes objetivos”.

Apesar do cessar-fogo, continua em discussão o estabelecimento de zonas de segurança no país (isto é, locais previamente assinalados e nos quais tanto os rebeldes como as forças governamentais se comprometem a não atacar). Foram já definidas quatro áreas nas províncias de Idlib e Homs, em Ghouta, a norte da capital, Damasco, e na fronteira a sul com a Jordânia, que está sob domínio da oposição e inclui partes das Daraa e Quneitra. No total, vivem nestas áreas mais de 800 mil civis.

Rússia, Turquia e Irão, que estão por detrás destas negociações, continuam, porém, a não se entender quanto ao controlo e segurança das zonas. A última ronda de negociações entre os três países em Astana, no Cazaquistão (4 e 5 julho) terminou sem qualquer acordo. O assunto será retomado na última semana de agosto, noticiou então a Al-Jazeera.