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Internacional

Hebron declarada património mundial pela UNESCO. Israel protesta

É mais uma decisão aprovada na ONU contra a vontade de Israel e do seu aliado americano

Luís M. Faria

Jornalista

Numa decisão que irritou Israel e que os Estados Unidos tentaram impedir, a UNESCO declarou a cidade de Hebron, na Margem Ocidental, património mundial da Humanidade. Ao mesmo tempo, declarou que se encontra em risco, e portanto deve ser objeto de proteção especial da ONU, incluindo inspeções anuais.

Israel contesta a moção agora aprovada por vários motivos. Desde logo, quem a propôs: a Palestina, que desde há anos passou a ser considerada um Estado pela UNESCO e graças a isso já antes propôs, e conseguiu, que outros dois monumentos fossem considerados património mundial.

Também o facto de Hebron ser considerada uma cidade “islâmica” na moção suscitou reações indignadas do governo israelita. É verdade que vivem lá 200 mil palestinianos e apenas algumas centenas de judeus, numa zona fortemente protegida por soldados israelitas. Mas a cidade alberga o Túmulo dos Patriarcas, o segundo lugar mais sagrado do judaísmo. Conforme o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu lembrou sexta-feira, Hebron não é apenas islâmica. "Não é um lugar judeu? Quem está enterrado lá? Abrãao, Isaac e Jacob. Sara, Rebeca e Lia. Os nossos pais e mães."

O comité do património mundial da UNESCO, reunido em Cracóvia, incluiu Hebron na sua lista de património de "valor excepcional em perigo". Esse aspeto foi igualmente contestado por Netanyahu, que notou a liberdade religiosa lá existente. Os residentes árabes, por sua vez, queixam-se de ataques frequentes levados a cabo por colonos sob a proteção da autoridade ocupante.

Hebron é uma cidade muito antiga que teve uma comunidade judaica até 1929, quando um massacre de judeus a obrigou a partir. Regressou em 1967, após o triunfo militar que permitiu a Israel ocupar a Margem Ocidental.

A autarquia diz que a declaração da Hebron como património mundial, abrangendo a cidade velha e o Túmulo dos Patriarcas (para os muçulmanos, a Mesquita de Ibrahim, o seu quarto lugar mais sagrado) vai favorecer o turismo. Aprovada por doze votos contra três - e seis abstenções - é mais uma prova de que a ONU tem um preconceito contra o estado judaico, segundo vários membros do governo israelita.