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Internacional

Forças iraquianas a um passo de reconquistar Mossul, no Iraque

ALAA AL-MARJANI/REUTERS

Apesar dos avanços das tropas iraquianas, o autoproclamado Estado Islâmico diz ter “reforçado as suas posições” e promete “uma luta intensa até ao fim”. Cerca de 20 mil civis continuam encurralados na cidade e a viver em “condições terríveis”

Helena Bento

Jornalista

Depois de quase nove meses de luta pela reconquista da cidade iraquiana de Mossul, nas mãos do autoproclamado Estado Islâmico desde 2014, as forças iraquianas, apoiadas pelos EUA, estão prestes a alcançar o seu objetivo, anunciou este sábado a televisão estatal, citando um porta-voz do Exército. “Faltam apenas alguns metros e, depois disso, será anunciada a vitória”, anunciou uma jornalista do canal. “É uma questão de horas”, acrescentou.

A notícia teve eco nos principais meios de comunicação internacionais. Um correspondente da Reuters disse ter visto “dezenas de soldados iraquianos a celebrar no meio dos destroços e outros a dançar e a disparar tiros para o ar”, munidos de metralhadoras, ainda que a vitória “não tenha sido ainda declarada”. O mesmo correspondente disse ter ouvido “explosões e tiros” durante o dia de sábado.

Segundo Charles Stratford, repórter da Al-Jazeera na cidade de Erbil (localizada a cerca de 80km de Mossul) o combate mantém-se ainda, porém “muito intenso”, quando faltam apenas conquistar uma área de território “onde se encontram cerca de 100 homens do Daesh”. De acordo com a televisão árabe, vários combatentes do grupo extremistra foram mortos, enquanto outros tentaram escapar a nado através do rio Tigre. Muitos ter-se-ão também rendido.

Apesar dos avanços das tropas iraquianas, o Daesh prometeu “uma luta intensa até ao fim”. De acordo com a agência de notícias do grupo radical, a Amaq, “foram já reforçadas posições no terreno”.

Cerca de 20 mil civis continuam encurralados na cidade. Esta semana, as Nações Unidas alertaram para as condições “terríveis” em que vivem atualmente essas pessoas.

Desde outubro do ano passado que as forças iraquianas, apoiadas pelos EUA, estão a tentar recuperar Mossul, nas mãos do Daesh desde junho de 2014. Depois de avançarem sobre a zona este da cidade, os militares partiram para oeste. Desde então, milhares de civis morreram e cerca de 850 mil foram obrigados a deixar as suas casas, segundo números do Governo iraquiano, citados pela Al-Jaazera.

Um desses civis é Mohammed Haji Ahmed, 43 anos, que está instalado em Hassan Sham, um campo para refugiados na zona este de Mossul. Recebeu a notícia dos avanços com satisfação, mas para ele o mais importante é que a cidade seja “reconstruída”. “Se não houver reconstrução e as pessoas não puderem reaver os seus bens, o que é que importa a libertação?”, questionou à Reuters.

As Nações Unidas estimam que os custos de reconstrução das infraestruturas em Mossul ultrapassem os mil milhões de dólares (cerca de 900 mil milhões de euros). Nas zonas mais afetadas pelo conflito, a maioria dos edifícios ficou destruída, o que significa que os custos podem ser superiores ao estimado.