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Internacional

Acordo de Paris é “irreversível”, com ou sem os EUA

CLEMENS BILAN

Países reunidos em Hamburgo comprometeram-se a prosseguir as políticas ambientais espelhadas no acordo assinado em Paris, em dezembro de 2015. EUA estão oficialmente fora do acordo. Theresa May diz-se “consternada” e Merkel lamenta o sucedido. Já Emmanuel Macron promete não desistir de Trump

Helena Bento

Jornalista

Acordo de paris é “irreversível”, mesmo sem a participação dos EUA. Eis as linhas principais do comunicado final emitido este sábado pelos países do G20, reunidos em Hamburgo, na Alemanha.

“Tomámos nota da decisão dos Estados Unidos de abandonar o acordo de Paris (...)”, lê-se no início do comunicado, que termina esclarecendo que, apesar da desvinculação dos acordos sobre o clima, os EUA “comprometeram-se a baixar as emissões de CO2, ao mesmo tempo que vão apoiar o crescimento económico e a melhoria da segurança energética”. “Os EUA vão esforçar-se para trabalhar estreitamente com outros parceiros para facilitar o seu acesso e a utilização mais apropriada e eficaz das energias fósseis, ajudando-os ainda a desenvolver energias renováveis e outras fontes de energia limpa", refere ainda o comunicado.

Em conferência de imprensa, Angela Merkel mostrou-se satisfeita com o compromisso assumido pelos restantes 19 países reunidos em Hamburgo, na Alemanha. “Regozijo-me muito que todos os outros chefes de Estado e governo" mantenham os acordos de Paris, declarou a chanceler alemã, admitindo, porém, que foi difícil chegar a um consenso e que a resolução final representa uma ruptura com a tradição, uma vez que nunca, até agora, um país do G20 fora autorizado a prosseguir uma política individual.

O comunicado acaba por reconhecer oficialmente a saída dos EUA do acordo de Paris, que Merkel disse “lamentar” e que já tinha sido anunciada por Donald Trump, em linha com as promessas feitas durante a campanha eleitoral. Recorde-se que o Presidente norte-americano sempre questionou as alterações climáticas, que chegou a descrever como uma “invenção dos chineses”.

Em reação ao sucedido, a primeira-ministra britânica, Theresa May, disse estar “consternada” e apelou ao Presidente norte-americano - depois de já o ter feito noutras conversas durante a cimeira, segundo contou aos jornalistas - para que repense os seus últimos passos.

Já o Presidente francês, Emmanuel Macron, disse não ter ainda desistido de fazer com que Trump mude de ideias. “Não desisto de o convencer porque penso que, dada a minha posição, tenho esse dever. Além disso, é um traço do meu caráter”, disse Macron, citado pelo britânico “The Guardian”. Macron anunciou ainda a realização, a 12 de dezembro, de uma cimeira sobre o clima.

Os Estados Unidos juntam-se assim à Síria e a Nicarágua na rejeição ao acordo de Paris, que foi alcançado em dezembro de 2015 com o objetivo de reduzir a poluição ambiental, nomeadamente a emissão de gases com efeito de estufa que têm causado as alterações climáticas. Nesse acordo, os EUA tinham-se comprometido a reduzir, até 2025, os níveis das suas emissões entre 26 a 28% em relação aos níveis de 2005.