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Expresso

Internacional

Guerra no Iémen. Há 10 milhões de crianças a precisar de ajuda urgente

Brent Stirton

UNICEF diz que maioria das crianças iemenitas, num número correspondente ao total de habitantes de Portugal, está sem acesso a cuidados médicos, nutrição adequada, água potável, saneamento e educação

Cerca de dez milhões de crianças do Iémen precisam de assistência humanitária urgente, de acordo com contas da UNICEF reveladas na quinta-feira, numa altura em que o país mais pobre do mundo árabe continua avassalado por uma sangrenta guerra entre rebeldes hutis xiitas e as forças governamentais, que gozam do apoio aéreo de uma coligação liderada pela Arábia Saudita.

Num comunicado publicado ontem na sua página oficial de Facebook, o gabinete da agência da ONU para as crianças no Iémen disse que a maioria dos menores do país está sem qualquer acesso a cuidados médicos básicos, nutrição adequada, água potável, saneamento sustentável e educação.

Também ontem, o coordenador da ONU para o Iémen, Jamie McGoldrick, revelou numa conferência de imprensa na capital do país, Sana, que as organizações de ajuda humanitária ali instaladas estão com dificuldades em combater a má-nutrição porque tiveram de alocar todos os seus recursos para combater um surto de cólera que ameaça aumentar o número de mortos.

"Estamos a tentar fazer o nosso melhor, mas é preciso fazer muito mais do que aquilo com que conseguimos lidar", avisou McGoldrick. De acordo com um balanço da ONG Save the Children, uma criança iemenita é infetada pela bactéria a cada minuto.

No final de abril, o Programa Alimentar Mundial (PAM) tinha alertado que mais de 17 milhões de iemenitas estão em risco de vida por não terem acesso aos bens alimentícios mais básicos.

A ameaça da cólera

Na quarta-feira, o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, disse que mais de 1600 pessoas já morreram desde o final de abril, vítimas do surto que começou nesse mês por causa dos graves danos nos sistemas de saneamento na sequência dos bombardeamentos sauditas. O surto já se alastrou às 21 províncias do país, com 270 mil casos suspeitos detetados até agora.

Aos jornalistas, Dujarric disse ainda que a Organização Mundial de Saúde (OMS) e os seus parceiros receberam 400 toneladas de equipamentos e produtos médicos na terça-feira, incluindo 30 ambulâncias e kits para tratar 10 mil pessoas em Aden e Hodeida, as províncias mais afetadas. Nas próximas semanas, as organizações vão instalar até 2350 camas em 600 locais do país para tratar parte da população infetada.

A guerra que estalou em março de 2015 destruiu grande parte das infraestruturas do país, causando mais de dez mil mortos e forçando mais de 11% do total de habitantes do Iémen a abandonarem as suas casas. No final de maio, o chefe de Assuntos Humanitários da ONU, Stephen O'Brien, avisou que o país enfrenta o iminente "colapso total" se não forem tomadas ações.