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Expresso

Internacional

China envia o seu único porta-aviões operacional para Hong Kong

ANTHONY WALLACE

Destacamento do navio de guerra, dias depois da primeira visita de Xi Jinping à região administrativa, é tido como uma "demonstração de força" de Pequim face a um crescente movimento pró-democracia

O Liaoning, o único porta-aviões operacional da China, acabou de atracar nas águas que banham Hong Kong, dias depois de uma tensa visita do Presidente chinês à região — a primeira de Xi Jinping desde que chegou ao poder em 2012.

Oficialmente, o destacamento do navio de guerra para Hong Kong, na sua primeira travessia fora das águas territoriais da China continental, surge enquadrado nas comemorações do 20.º aniversário da entrega da região pelo Reino Unido.

Contudo, muitos analistas vêem a decisão como uma "demonstração de força" de Pequim face a um crescente movimento pró-democracia na região, que exige menos interferência da China nos assuntos internos de Hong Kong, a autodeterminação da região e até a sua independência.

Durante a visita à região especial administrativa na semana passada, marcada por protestos a favor e contra Pequim, Xi avisou que questionar a soberania do governo central chinês é "inadmissível". As declarações surgem numa altura de crescentes tensões políticas em Hong Kong desde o final de 2014, quando durante vários meses centenas de milhares de habitantes ocuparam o centro da cidade na chamada Revolução dos Guarda-Chuvas.

Esses protestos foram convocados depois de o governo chinês ter dito que ia autorizar a organização de eleições diretas para o líder administrativo da região, limitando os cidadãos a uma lista de candidatos pré-aprovados por Pequim. A maioria dos manifestantes são jovens estudantes — entre eles Joshua Wong, um dos organizadores dos protestos, que ontem se declarou culpado de "desobediência" numa audiência em tribunal.

Xi e a primeira-dama chinesa, Peng Liyuan, à chegada a Hong Kong

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Keith Tsuji

Quando a visita de Xi foi concluída no sábado, milhares de pessoas voltaram a marchar no centro de Hong Kong exigindo mais garantias democráticas. Apesar de a presença do Liaoning na região ser vista como uma demonstração de força, muitos habitantes têm estado a fazer fila para comprar bilhetes para conhecerem o interior do porta-aviões — que chegou esta sexta-feira a Hong Kong acompanhado de outros três navios de guerra e que vai estar atracado perto da ilha Tsing Yi durante cinco dias.

O navio que serve de base aérea móvel, com 300 metros de comprimento, é uma versão atualizada do Kuznetsov, um navio de guerra da era soviética construído no final dos anos 1980, antes da queda da URSS, que foi comprado por Pequim à Ucrânia.

Em abril, a China apresentou ao mundo um outro porta-aviões, o primeiro a ser construído em estaleiros navais do país, que deverá ficar operacional em 2020 — parte de uma crescente frota que tem como objetivo aumentar a presença militar global do país, numa altura em que a região continua a ser palco de uma série de disputas e ameaças de conflitos.

Em abril, os EUA enviaram o porta-aviões USS Carl Vinson para o Mar do Sul da China

Em abril, os EUA enviaram o porta-aviões USS Carl Vinson para o Mar do Sul da China

U.S. Navy

Entre eles conta-se a disputa do Mar do Sul da China — uma importante rota comercial que poderá albergar grandes reservas de gás e de petróleo, onde Pequim tem estado a construir ilhas artiticiais militarizadas para defender o que diz serem as suas águas territoriais. O mar é disputado por uma série de países da região e palco de recorrentes exercícios navais dos Estados Unidos no âmbito do que os norte-americanos classificam como "operações de liberdade de navegação"

O reforço da frota naval chinesa também surge numa altura de crescentes tensões na Península Coreana, em que a Coreia do Norte tem estado a avançar com os seus programas balístico e nuclear apesar da condenação internacional e de uma série de resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

Na terça-feira, Pyongyang testou com sucesso o seu primeiro míssil balístico intercontinental, que tem alcance suficiente para atingir o estado norte-americano do Alasca. Isto levou ontem a administração de Donald Trump a avisar que usará as suas "forças militares consideráveis" contra o regime de Kim Jong-un "se assim tiver de ser", aumentando os receios de um conflito com repercussões imprevisíveis.