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Trump na Polónia: o que vai dizer sobre a Europa e a NATO?

Trump de partida para Varsóvia com a primeira-dama, Melania

Zach Gibson

Presidente norte-americano já está em Varsóvia, onde esta quinta-feira irá proferir um antecipado discurso frente ao monumento da resistência polaca aos nazis, antes de seguir para a cimeira do G20 em Hamburgo

O Presidente norte-americano prepara-se para fazer um discurso público em Varsóvia esta quinta-feira à tarde, no qual deverá sublinhar a sua visão para as relações dos Estados Unidos com a Europa e com a NATO.

A Polónia, cujo governo nacionalista partilha com a administração americana um sentimento anti-imigração e anti-muçulmano, é o único país que Trump decidiu visitar oficialmente antes de uma antecipada cimeira do G20, que começa na sexta-feira na cidade alemã de Hamburgo.

Na histórica praça Krasinski, frente ao monumento de homenagem aos polacos que tentaram resistir à ocupação nazi, Trump deverá pedir aos europeus que se inspirem nas ações da Polónia durante esse conflito para lidarem com os desafios que enfrentam atualmente — bem como promover os seus planos para se tornar o grande fornecedor de gás natural do continente em detrimento da Rússia.

Trump vai discursar frente ao monumento de homenagem à revolta dos polacos contra a ocupação nazi em 1944

Trump vai discursar frente ao monumento de homenagem à revolta dos polacos contra a ocupação nazi em 1944

WOJTEK RADWANSKI / AFP / Getty Images

A grande dúvida, aponta esta quinta-feira o correspondente da BBC, prende-se com o que irá dizer sobre a NATO, uma aliança que em tempos declarou "obsoleta", antes de um encontro com os aliados em que criticou a maioria dos Estados-membros por não alocarem 2% do seu PIB para a defesa comum.

Ao final da manhã, a administração publicou excertos do discurso, em que o Presidente norte-americano questiona se o Ocidente tem a garra necessária para sobreviver a esta era. "Porque como a experiência polaca nos recorda", lê-se nesses excertos, "a defesa do Ocidente depende, em última instância, não só dos seus meios mas também da vontade do seu povo para triunfar. A questão fundamental da nossa era é se o Ocidente tem a vontade de sobreviver."

Antes do discurso, Trump vai participar na cimeira dos Três Mares, uma iniciativa conjunta da Polónia e da Croácia que vai juntar em Varsóvia as 12 nações ao redor do Báltico, do Adriático e do Mar Negro. Nesse encontro, e de acordo com informações avançadas por fontes da administração, o Presidente norte-americano deverá sugerir que as importações de gás natural líquido dos EUA podem reduzir a dependência europeia da Rússia.

A Polónia e três Estados do Báltico já rejeitaram a construção de um gasoduto russo offshore até à Alemanha, conhecido como Nord Stream 2. "A Europa vai ser a grande arena competitiva entre o gás russo e o LNG [gás natural líquido dos EUA]", vaticinou na quarta-feira à Reuters o historiador Daniel Yergin,

Diante do monumento de homenagem à resistência de Varsóvia, Trump vai pedir à UE que procure inspiração no exemplo polaco. “Ele vai elogiar a coragem polaca no período mais negro da sua História e celebrar a emergência da Polónia enquanto potência europeia”, avançou há alguns dias HR McMaster, chefe do Conselho de Segurança Nacional da administração Trump. “E vai também pedir a todas as nações que busquem inspiração no espírito dos polacos perante os desafios com que hoje se confrontam.”

A par disso, aponta a BBC, o líder norte-americano também deverá sublinhar o apoio dos EUA à Europa de Leste antes do seu primeiro encontro com o Presidente russo na cimeira do G20.

A reunião com Vladimir Putin vai acontecer à margem de um encontro em que Angela Merkel se prepara para repetir que a Europa não está disponível para renegociar o Acordo do Clima de Paris (ratificado por Barack Obama em 2016 mas rejeitado por Trump no início de junho). A postura da chanceler alemã será reforçada pela primeira-ministra britânica, Theresa May.

Num editorial publicado esta quinta-feira no jornal alemão "Handelsblatt", Putin pede a Trump que ponha fim às sanções impostas pela anterior administração norte-americana a indivíduos e empresas russas e também que reverta a sua rota protecionista.