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EUA e Coreia do Sul em exercícios militares após teste de míssil intercontinental por Pyongyang

ED JONES / AFP / GETTY IMAGES

Esta quarta-feira, o Conselho de Segurança da ONU vai estar reunido à porta fechada para debater o mais recente teste norte-coreano. Especialistas dizem que, a este ritmo, o país vai conseguir integrar ogivas nucleares nos seus MBI e garantir que alcançam o território norte-americano dentro de cinco a dez anos

O Pentágono confirmou na terça-feira à noite as informações avançadas pela Coreia do Norte sobre ter testado um míssil de longo alcance que alguns especialistas acreditam ter capacidade para chegar ao Alasca.

Inicialmente, os EUA e o Japão tinham noticiado que o míssil lançado por Pyongyang em direção ao mar do Leste na madrugada de terça era de médio alcance. Horas depois, o regime de Kim Jong-un anunciou o teste de um novo míssil balístico intercontinental (MBI) — um tipo de projétil normalmente capaz de transportar uma ogiva nuclear em miniatura, que costuma ter um alcance mínimo de 5500 quilómetros apesar de conseguir voar cerca de 10 mil quilómetros ou mais.

Em comunicado, o secretário de Estado, Rex Tillerson, falou numa "nova escalada da ameaça" norte-coreana, avisando que Washington "nunca aceitará uma Coreia do Norte com armas nucleares". Apesar do alcance do MBI, a maioria dos especialistas acredita que Pyongyang ainda não tem capacidades para lançar mísseis nuclearizados de longo alcance.

Anteriormente, e de acordo com monitorizadores, o país do norte da península coreana já tinha testado dois tipos de MBI: o KN-08, que tem um alcance de 11500 quilómetros, e o KN-14, com um alcance de dez mil. Contudo, antes do teste desta terça-feira, no Dia da Independência dos EUA, o regime nunca tinha reivindicado o lançamento de um míssil desta natureza.

Em resposta ao lançamento, os EUA e a Coreia do Sul conduziram exercícios militares conjuntos na região na madrugada desta quarta-feira. Num comunicado conjunto, os dois Exércitos avisaram que, neste momento, o seu "autodomínio é a única coisa que separa o armistício da guerra". Os exercícios em curso, acrescentaram, "demonstram que somos capazes de alterar essa nossa escolha".

Tillerson diz que "é necessário agir a nível global para travar esta ameaça global" e já avisou que qualquer nação que beneficie o Norte económica ou militarmente ou que não respeite as resoluções do Conselho de Segurança da ONU será acusado de "estar a ajudar ou a incitar um regime perigosos".

Esta quarta-feira à tarde, os Estados-membros do Conselho de Segurança vão estar reunidos à porta fechada em Nova Iorque para debater o último teste de mísseis por Pyongyang.

Ontem, logo após o lançamento do MBI, a agência estatal norte-coreana citou Kim a dizer que o teste era um "presente" para os americanos no seu mais importante feriado nacional. Na notícia, o regime avisou que pode conduzir mais testes e que já deu ordens às autoridades para "enviarem frequentemente presentes grandes e pequenos aos Yankees".

De acordo com Pyongyang, o Hwasong-14 atingiu uma altitude de 2802 quilómetros e alcançou 933 quilómetros de distância no ar, voando durante 39 minutos antes de atingir o Mar do Japão (Mar do Leste para as duas Coreias). Neste momento, o regime já tem garantido "um poderio nuclear de pleno direito", tendo em sua posse "o mais poderoso míssil balístico intercontinental, capaz de atingir qualquer parte do mundo".

Alguns especialistas acreditam que o teste de terça-feira prova que Pyongyang já tem mísseis com capacidade de atravessar metade do globo e atingir o estado do Alasca — entre eles o físico David Wright, que no seu blogue informou ontem que o MBI testado tem um alcance máximo de cerca de 6700 quilómetros. O Ministério da Defesa sul-coreano diz que o míssil consegue percorrer entre sete e oito mil quilómetros.

Não é, contudo, certo se este míssil é capaz de transportar uma ogiva nuclear miniaturizada, embora Pyongyang tenha garantido que o projétil transportava uma "ogiva pesada" e que "atingiu de forma precisa as águas-alvo sem qualquer falha estrutural". De acordo com a agência sul-coreana Yonhap citando fontes oficiais, não há para já quaisquer indícios de que o MBI consiga aguentar altas temperaturas e voltar a entrar na atmosfera sem danos.

Apesar de muitos especialistas acreditarem que a Coreia do Norte ainda não tem como integrar ogivas nucleares nos seus mísseis de longo alcance, outros dizem que, a este ritmo, o país conseguirá ultrapassar os desafios e desenvolver um míssil com essa capacidade dentro de cinco a dez anos.

O teste desta terça-feira representa uma alteração de poderes tanto em termos práticos como simbólicos, aponta hoje a BBC. Pela primeira vez, "um Presidente dos EUA tem de aceitar que Pyongyang representa um perigo real e presente não apenas para a Ásia e para os aliados dos EUA na região do Pacífico como também para os próprios norte-americanos".

Esta manhã, o parlamento da Coreia do Sul adotou uma resolução a condenar o teste de míssil, na qual diz que "as autoridades da Coreia do Norte terão de pagar pelo seu comportamento provocador". Isto, avisam os sul-coreanos, "pode resultar no colapso e extinção do regime de Kim Jong-un".

Ontem, o Japão já tinha sublinhado que "provocações sucessivas como esta são absolutamente inaceitáveis". Entretanto, a China, único aliado económico dos norte-coreanos, e a Rússia pediram a Kim que suspenda o seu programa de mísseis balísticos em troca do fim dos exercícios militares de larga escala a serem conduzidos recorrentemente pelos EUA e pela Coreia do Sul. Depois de um encontro em Moscovo na terça-feira, Xi Jinping e o homólogo russo, Vladimir Putin, disseram que "os dois lados têm de dar início a negociações".