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Internacional

China autoriza médicos estrangeiros a tratarem Liu Xiaobo

No dia em que o Presidente chinês chegou a Hong Kong, habitantes da região organizaram uma vigília a favor do dissidente

ANTHONY WALLACE

O Nobel da Paz foi recentemente transferido da prisão para um hospital da cidade de Shenyang por causa de um cancro terminal no fígado

A China convidou médicos oncologistas dos EUA e da Alemanha a viajarem até ao país para ajudarem a tratar o Nobel da Paz Liu Xiaobo, recentemente transferido da prisão para um hospital por causa de um cancro de fígado em estado terminal. As autoridades da cidade de Shenyang, no nordeste da China, onde Liu está internado, dizem que a decisão foi tomada a pedido da família do dissidente.

Liu foi condenado a 11 anos de prisão em 2009 sob acusações de "subversão do poder estatal" por ter assinado um manifesto em que exigia mais garantias democráticas no país. A decisão de Pequim surge a poucos dias de o Presidente chinês, Xi Jinping, viajar até Hamburgo para uma antecipada cimeira do G20.

Fontes diplomáticas em Pequim disseram entretanto à Reuters que a China estava a ficar nervosa com a possibilidade de o assunto ensombrar a participação de Xi no encontro das 20 maiores potências mundiais, que começa esta sexta-feira.

Liu, que foi um dos líderes dos sangrentos protestos na praça de Tiananmen em 1989, foi laureado com o Nobel da Paz em 2010, um ano depois de ter sido preso. A sua mulher, Liu Xia, está em prisão domiciliária desde então, apesar de nunca ter sido formalmente acusada de qualquer crime.

O dissidente foi diagnosticado com um cancro terminal em maio, tendo sido libertado da prisão no final de junho a fim de receber tratamentos no hospital de Shenyang. Desde então, a sua família, várias organizações de Direitos Humanos e diplomatas dos EUA e da Alemanha têm sublinhado que não existem especialistas capazes de tratar Liu no hospital onde está internado, aumentando as pressões sobre Pequim para que autorizasse o ativista a viajar até ao estrangeiro.