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Eurodeputados portugueses rejeitam acusação de Juncker, que já terá pedido desculpa

PATRICK SEEGER / EPA

Dos portugueses, só Marinho e Pinto estava no plenário a ouvir Jean-Claude Jucker criticar duramente os ausentes. Restantes eurodeputados explicam que Presidente da Comissão não tem razão e falam em populismo.

Susana Frexes, em Estrasburgo

Jean-Claude Juncker não gostou de ver um hemiciclo de 751 deputados com apenas algumas dezenas de cadeiras ocupadas. Os eurodeputados não gostaram de ouvi-lo dizer que "o Parlamento Europeu é ridículo". De forma praticamente unânime, os portugueses rejeitam o tom e a crítica feita durante o debate que começou às nove da manhã, em Estrasburgo, sobre o balanço da presidência maltesa da União Europeia.

Paulo Rangel acusa o Presidente da Comissão Europeia de fazer uma "afirmação populista". Defende que "o trabalho dos deputados que é em feito em gabinete, em comissão, em reuniões de grupo" é "na generalidade, mais importante do que assistir a um plenário". Para o eurodeputado do PSD, o debate sobre o "balanço de uma Presidência que já acabou" não era prioritário.

"Se se pretende que os eurodeputados estejam no plenário das nove da manhã até às onze da noite, isso significa que muitos deles - os que não podem intervir - estarão ali sem poderem fazer mais nada", continua.

"Os deputados não estão aqui para olharem para o Sr. Juncker enquanto ele fala", diz também Marisa Matias, referindo-se à impossibilidade de, muitas das vezes, os eurodeputados não poderem colocar questões, nem intervirem.

"Eu (fui) muito mais útil aos cidadãos portugueses onde estive, do que se estivesse no plenário, onde não tinha tempo de palavra", argumenta a eurodeputada do Bloco de Esquerda. Diz que até às nove da manhã esteve numa reunião como Vice-Presidente da Comissão Valdis Dombrovskis.

"Os deputados estão no plenário fundamentalmente quando os debates são das suas áreas ou transversais", explica Carlos Zorrinho, que chegou ao debate sobre a presidência maltesa por volta das 9h40 e até interveio. Antes, esteve numa reunião do Grupo de Trabalho da Eurolat.

"Eu sei onde estava e, provavelmente, as pessoas estavam a fazer coisas que consideravam que eram mais importantes para o exercício do seu mandato", diz o deputado socialista, que deixa críticas à marcação dos chamados "debates prioritários" quando há outras reuniões a decorrer.

"O regimento do parlamento permite que ao mesmo tempo em que estão a decorrer os trabalhos em plenário, decorram um número muito significativo de reuniões, de comissões, de grupos políticos, de negociação", diz também o eurodeputado do PCP João Ferreira, adiantando que "é praticamente impossível" que ele e os colegas possam estar sempre presentes em todos os debates, que decorrem de manhã à noite.

"Eu acho que o Presidente da Comissão certamente não estaria a sentir-se bem", atira Nuno Melo, para quem o discurso de Juncker foi "absolutamente ridículo".

"No meu caso, sendo o único deputado de uma delegação, obviamente que a minha utilidade não está em bater palmas ao sr. Presidente da Comissão Europeia", diz o deputado do CDS, para quem "não faz sentido" mudar as regras só para que os plenários estejam cheios. "Os eurodeputados estão a trabalhar", defende, mesmo que não estejam o tempo todo no hemiciclo.

Marinho e Pinto foi o único português a ouvir Juncker

"Eu estava lá porque costumo assistir a todas as sessões com chefes de estado (e de governo)", diz António Marinho e Pinto, referindo-se à presença do primeiro-ministro maltês na sala.

Sobre o discurso de Jean-Claude Juncker, fala num "bom puxão de orelhas ao parlamento e aos deputados", por não terem sabido receber um chefe de governo que foi convidado a estar em Estrasburgo. Por outro lado, considera que Juncker "perde alguma razão" pela "rudeza das palavras utilizadas", tendo em conta "o cargo que ocupa".

O pedido de desculpas de Juncker

O desabafo e irritação do Presidente da Comissão Europeia não caíram bem até mesmo dentro do Partido Popular Europeu, a que pertence Jean-Claude Juncker. De acordo com fontes parlamentares, o luxemburguês acabou por pedir desculpa, "por escrito e também oralmente", durante um encontro a sós com o Presidente do Parlamento Europeu, António Tajani.

  • Juncker: “O Parlamento Europeu é ridículo”

    O episódio aconteceu durante um debate realizado esta terça-feira, onde apenas um pequeno número de deputados participou. “O facto de cerca de 30 deputados participarem neste debate demonstra o suficiente para que o Parlamento não seja sério”, afirmou o presidente da Comissão Europeia