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Coreia do Norte lança novo míssil intercontinental na direção do Japão

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Teste denunciado pelos Estados Unidos no seu Dia da Independência “demonstra claramente que a ameaça subiu de nível”, diz o Japão. Para esta tarde é esperado um “importante anúncio” de Pyongyang

A Coreia do Norte diz ter testado com sucesso um míssil balístico intercontinental, lançado na madrugada desta terça-feira na direção do Japão a partir de uma base próxima de Panghyon, que viajou 37 minutos no ar antes de cair no Mar do Japão (Mar do Leste para as duas Coreias), informou o Comando dos EUA para o Pacífico.

O Japão já apresentou um protesto formal, com o primeiro-ministro nipónico, Shinzo Abe, a declarar que o novo teste "demonstra claramente que a ameaça subiu de nível". Este é o 11.º míssil a ser lançado por Pyongyang desde o início do ano, com o regime de Kim Jong-un a celebrar mais um marco nos seus esforços para construir armas nucleares capazes de atingirem o território norte-americano.

De acordo com as autoridades sul-coreanas e as norte-americanas, o teste envolveu um projétil de médio alcance que foi lançado pelas 9h40 locais (01h40 em Lisboa) e que voou cerca de 930 quilómetros. A base a partir de onde foi lançado é a mesma onde, no dia 12 de junho, o Exército norte-coreano testou o seu novo míssil o Pukguksong-2, capaz de alcançar três mil quilómetros de distância.

O projétil poderá ter caído na zona económica exclusiva do Japão, nas águas territoriais nipónicas, uma área de 200 quilómetros a partir da costa do país, informou Yoshihide Suga, porta-voz do governo. Entretanto, e de acordo com a agência sul-coreana Yonhap, para esta terça-feira à tarde é esperado um "importante anúncio" por parte de Pyongyang.

Os EUA já garantiram que o novo teste não representou uma ameaça ao seu território. Contudo, e de acordo com especialistas citados pelo "New York Times", se o míssil levou 37 minutos a voar 580 milhas, como apontaram os Exércitos dos EUA e da Coreia do Sul, isso quer dizer que terá atingido uma altitude de mais de 1700 milhas. "Com este alcance, o míssil não seria capaz de atingir os 48 estados do sul dos EUA nem as maiores ilhas do Hawai, mas conseguiria chegar ao Alasca", apontou no seu blogue David Wright, codiretor do Programa de Segurança Global da União de Cientistas Preocupados.

O último teste teve lugar após uma reunião do novo Presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, com o homólogo norte-americano, Donald Trump, para discutir a ameaça norte-coreana. Embora o regime de Kim Jong-un continue a alcançar progressos nos seus programas nuclear e de mísseis, os analistas acreditam que, para já, o país ainda não tem capacidades para atingir alvos precisos com os seus mísseis balísticos intercontinentais nem com as miniaturas de ogivas nucleares que consegue integrar nesses mísseis.

Aos jornalistas em Tóquio, Suga disse que "as repetidas provocações da Coreia do Norte como a de hoje são absolutamente inaceitáveis", com Abe a garantir que o Japão vai "unir-se fortemente" a Washington e a Seul para aumentar as pressões sobre Pyongyang. O chefe do governo nipónico também disse que vai telefonar ao Presidente chinês, Xi Jinping, e ao líder da Rússia, Vladimir Putin — atualmente reunidos em Moscovo — para lhes pedir que "desempenhem um papel mais construtivo" na mediação das tensões.

No Twitter, Trump pareceu fazer uma referência ao novo teste norte-coreano e ao líder do regime, Kim Jong-un, no rescaldo do lançamento — que coincidiu com o Dia da Independência dos EUA — escrevendo: "Será que este tipo não tem nada melhor para fazer na vida? Difícil acreditar que a Coreia do Norte e o Japão aguentem isto por muito mais tempo. Talvez a China aumente a pressão sobre a Coreia do Norte para acabar com este disparate de uma vez por todas!"

Na Coreia do Sul, o recém-eleito Presidente convocou uma reunião de emergência do seu Conselho de Segurança para debater o último teste e uma "resposta determinada" como a que Trump prometeu na semana passada depois do encontro entre ambos. Os EUA começaram há pouco tempo a instalar no território sul-coreano o THAAD, o seu controverso escudo antimísseis, sob forte contestação da China e de outros países, que dizem que o sistema de defesa mina a sua segurança e põe em causa o equilíbrio de poderes na região. Esta manhã, Xi e Putin voltaram a manifestar a sua oposição ao THAAD.

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