Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Trump prepara guerra comercial global antes da cimeira do G20

reuters

Fontes citadas pelo site Axios dizem que o Presidente e o seu círculo restrito de conselheiros querem criar tarifas de 20% sobre importações de vários produtos, contra a vontade de outros 22 membros da administração que participaram numa tensa reunião há uma semana

O Presidente norte-americano está alegadamente disposto a ignorar os conselhos e planos do seu governo para manter as trocas comerciais globais instituídas e, em vez disso, avançar com uma guerra económica com o resto do mundo, incluindo com importantes parceiros de trocas como a China e a Alemanha.

De acordo com uma notícia avançada na sexta-feira pelo site Axios, no início da semana passada 25 membros da administração estiveram reunidos na sala Roosevelt da Casa Branca para discutir políticas comerciais antes da cimeira do G20, um encontro tenso que acabou com a sala dividida em duas fações — de um lado Donald Trump e dois seus conselheiros, do outro os restantes 22 membros do governo favoráveis à globalização ou que não manifestaram opinião sobre o assunto.

Fontes presentes nessa reunião disseram ao Axios que, contra a os planos da maioria, Trump está a ponderar criar tarifas de 20% sobre uma série de importações, a começar pelo aço, que podem ser alargadas às encomendas de produtos como alumínio, semicondutores, papel e eletrodomésticos.

"Uma das fontes descreveu o sentimento na sala como 22 contra e três a favor — mas dado que um desses três é Donald Trump, foi caso encerrado", escreveram os jornalistas Mike Allen e Jonathan Swan. "Ainda nenhuma decisão final foi tomada, mas o Presidente está a pender para a aplicação destas tarifas, apesar da oposição de quase todos os membros do seu gabinete.".

Sob o plano desenhado pelo secretário do Comércio, Wilbur Ross, e apoiado pelo chefe de estratégias Steve Bannon (que não esteve presente na reunião), pelo diretor de políticas comerciais Peter Navarro e pelo conselheiro da Casa Branca Stephen Miller, os EUA passariam a aplicar impostos à China e a outros grandes exportadores de aço. "Nem [o vice-Presidente] Mike Pence nem [o genro e conselheiro de Trump] Jared Kushner manifestaram a sua opinião", dizem Allen e Swan com base nas informações recolhidas.

A vasta maioria dos presentes na reunião de há uma semana tentou convencer o Presidente a abandonar essa ideia, dizendo que é uma "má política" aplicar tarifas às importações por abrir caminho a profundos tumultos económicos a nível global — com impactos previstos não só na China como nas relações dos EUA com uma série de parceiros-chave económicos e militares, entre eles o Canadá e o México, a Alemanha, o Japão e o Reino Unido.

"A determinada altura, quase todo o gabinete disse a Trump que esta é uma má ideia, mas toda a gente abandonou a sala a acreditar que o país está encaminhado para uma grande guerra comercial", aponta o Axios, referindo que uma decisão final é esperada para os próximos dias.

Uma das fontes citadas diz que Trump assumiu que é provável que o seu plano não avance mas que os seus apoiantes vão "adorar a ideia" e "tirar gozo" das batalhas que estas medidas anteveem. A denúncia surgiu em vésperas da cimeira do G20, que terá lugar em Hamburgo no próximo fim-de-semana, e do encontro desta segunda-feira entre o Presidente russo, Vladimir Putin, e o seu homólogo chinês, Xi Jinping, em Moscovo.