Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Russos discutiram envio de emails de Clinton a Michael Flynn

George Frey

De acordo com o “Wall Street Journal”, um operativo do Partido Republicano disse a outros membros do partido antes das eleições de novembro que estava “em contacto” com aquele que viria a ser o chefe do Conselho de Segurança Nacional de Trump para lhe fornecer emails privados da candidata democrata que terão sido obtidos por hackers russos

No final da semana passada — com Donald Trump a manter quase todas as atenções focadas nos seus insultos via Twitter aos apresentadores do programa de televisão "Morning Joe" Mika Brzezinski e Joe Scarborough— o "Wall Street Journal" avançou uma notícia que constitui um dos mais fortes indícios de conluio entre a equipa de campanha do Presidente republicano e o governo da Rússia para influenciar as eleições presidenciais de novembro.

De acordo com o jornal, um operativo republicano responsável por montar um dossiê embaraçoso para destronar as hipóteses do Partido Democrata terá mediado contactos entre os russos e Michael Flynn — um dos alvos das investigações em curso às suspeitas de conluio entre Trump e Moscovo, o general na reforma que Trump viria a escolher para dirigir o Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca apesar dos avisos da anterior administração e que seria forçado a resignar ao cargo quando, em fevereiro, os media denunciaram que manteve contactos potencialmente ilegais com o embaixador da Rússia em Washington.

Em conversas com outros membros do partido no poder, o operativo em questão, Peter W. Smith, terá dado a entender antes das eleições que mantinha uma "linha de comunicações diretas" com Flynn para, entre outras coisas, lhe fornecer os cerca de 30 mil emails privados que hackers russos terão roubado dos sistemas informáticos do Partido Democrata.

Eric York, um homem que diz ter tido acesso a esses emails em nome de Smith, disse ao jornal que Smith lhe disse: "Estou em contacto com Michael Flynn por caua disto — se encontrarem alguma coisa, podem dizer-me?" Smith, que morreu no mês passado, também terá trocado emails com elementos do Partido Republicano (consultados pelo jornal) nos quais lhes disse que a empresa de consultoria de Flynn estava envolvida nos esforços para obter os emails de Hillary Clinton.

Também de acordo com o WSJ, oficiais envolvidos na investigação à alegada ingerência russa nas eleições americanas discutiram antes da ida às urnas como poderiam deitar as mãos aos emails do Partido Democrata e enviá-los a Flynn através de um "intermediário" (emails esses que seriam depois divulgados pela WikiLeaks, cerca de um mês antes das eleições).